Projeção de déficit em conta corrente em 2010 sobe 22,5%, para US$ 49 bi

Piora da projeção é resultado de uma expectativa de menor superávit comercial com as importações crescendo mais rápido que o previsto

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 10h58

A projeção oficial do Banco Central para o déficit em transações correntes em 2010 subiu de US$ 40 bilhões para US$ 49 bilhões, de acordo com relatório mensal divulgado há pouco. Proporcionalmente, a autoridade monetária espera um déficit 22,5% maior que o previsto há três meses.

 

A piora da projeção é resultado de uma expectativa de menor superávit comercial neste ano, cuja projeção de saldo positivo caiu de US$ 15 bilhões para US$ 10 bilhões. Essa menor contribuição do comércio exterior é esperada porque as importações devem crescer mais rápido que o previsto, já que a estimativa de compras de produtos do exterior para o Brasil subiu de US$ 155 bilhões para US$ 163 bilhões. Ao mesmo tempo, a estimativa para as exportações brasileiras em 2010 cresceu em ritmo menor, passando de US$ 170 bilhões para US$ 173 bilhões.

 

Também piorou a projeção de déficit na conta de serviços e rendas, que passou de um resultado negativo de US$ 58,5 bilhões para US$ 62,5 bilhões. Entre os itens que devem contribuir para essa piora, a estimativa de remessas de lucros e dividendos aumentou de US$ 30,2 bilhões para US$ 32 bilhões. A projeção de gastos com juros subiu de US$ 7,2 bilhões para US$ 8,3 bilhões. Ao mesmo tempo, a previsão de saldo negativo gerado pelas viagens internacionais cresceu de US$ 7 bilhões para US$ 7,5 bilhões.

 

Já a estimativa do BC de transferências unilaterais correntes neste ano manteve-se em US$ 3,5 bilhões em ingressos ao País.

 

O ano deve terminar com um déficit em conta corrente superior ao ingresso de capital externo produtivo no País, que neste ano deve somar US$ 45 bilhões, previsão idêntica à feita no fim do ano passado. Por fim, a estimativa do BC para a entrada de dólares para a compra de papéis de longo prazo e ações em 2010 subiu de US$ 25 bilhões para US$ 35 bilhões.

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