Projeção de inflação está acima da meta, diz ata do BC

Apesar de ter mantido o juro básico da economia brasileira em 8,75% ao ano na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirma na ata da reunião, divulgada hoje, que a projeção oficial para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no cenário de referência "elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se encontra sensivelmente acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)".

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

25 de março de 2010 | 09h10

No cenário de referência, o BC leva em conta a hipótese de manutenção do câmbio em R$ 1,80 e da Selic em 8,75% em todo o horizonte da projeção. Com essas condições, a expectativa do BC para a inflação em 2011 "se elevou em relação ao valor considerado na reunião de janeiro, e se encontra acima do valor central da meta". Em janeiro, o cenário de referência previa para 2010 e 2011 inflação ao redor da meta de 4,50%.

No cenário de mercado, que leva em conta as previsões para o câmbio e juros feitas por analistas, a projeção de inflação para 2010 "se elevou, e também se encontra sensivelmente acima do valor central da meta para a inflação". Para 2011, a expectativa "se elevou, no entanto se posiciona ao redor do valor central da meta".

Estímulos

A ata da reunião de março do Copom destaca ainda que o resultado dos estímulos econômicos aplicados durante a crise financeira "serão parte importante" das próximas decisões sobre o rumo do juro básico da economia brasileira. "Os efeitos desses estímulos serão parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária, que devem assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas em 2010 e 2011, serão tomadas", cita o documento no parágrafo 29.

Os membros do Comitê lembram que foram aplicados "importantes estímulos fiscais e creditícios" na economia brasileira nos últimos trimestres e que esses fatores "deverão contribuir para a consolidação da retomada da atividade e, consequentemente, para a redução de qualquer margem residual de ociosidade dos fatores produtivos".

Ainda entre os fatores que incentivam a demanda, os diretores do BC afirmam que "depois de breve contração, a demanda doméstica se recuperou, em grande parte graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a retomada do crédito".

Cenário

A ata explica que a manutenção do juro básico da economia brasileira em 8,75% ao ano ocorreu porque a maioria dos membros do Comitê "entendeu ser mais prudente aguardar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião do Comitê, para então dar início ao ajuste da taxa básica".

A explicação consta no parágrafo 27 do documento e afirma que o voto da maioria dos membros levou em conta "as informações disponíveis neste momento, aliadas ao fato de que já está em curso o processo de retirada dos estímulos introduzidos durante a crise".

Nesse mesmo trecho da ata, o Comitê afirma que os três votos favoráveis à alta da Selic já neste mês foram sustentados pelas "projeções de inflação e o balanço de riscos". No encontro encerrado na quarta-feira da semana passada, dia 17, o juro básico da economia permaneceu em 8,75% ao ano. Cinco membros do Copom votaram a favor da manutenção e três defenderam a alta de 0,50 ponto porcentual.

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