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Projeção de IPCA sobe de 4,8% para 6,3%

Pesquisa do BC aponta que índice já encosta no teto da meta; no Planalto, Dilma diz que governo trava ''combate acirrado'' contra inflação

Célia Froufe e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

No dia em que o Banco Central (BC) divulgou relatório com o mercado prevendo para 2011 uma inflação de 6,34% - encostando no teto da meta (6,5%) -, a presidente Dilma Rousseff eleva o tom ao falar do temor pela alta dos preços.

Em entrevista ontem no Palácio do Planalto, ela afirmou que o governo está atento e preocupado. "Todas as nossas atenções estarão voltadas para o combate acirrado à inflação", disse. "Nós temos muita preocupação. Não haverá em hipótese alguma desmobilização do governo."

Em apenas 12 meses, as projeções do mercado para 2011 sofreram forte impacto. Em 20 de abril de 2010, a média das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 4,8% e, segundo o relatório Focus, divulgado ontem pelo BC, analistas das instituições financeiras já preveem que o índice encerrará o ano em 6,34%.

A diferença de 1,54 ponto porcentual revela mais do que uma simples pressão dos preços, conforme estudos feitos por economistas e repassados à presidente. Há o temor de que o BC pode ter "perdido a mão" no controle da inflação. As projeções feitas em abril de 2010 indicavam que a taxa ficaria muito perto do centro da meta da autoridade monetária para o ano, de 4,5%.

Agora, o que se vê é a expectativa de o IPCA ficar bem próximo do teto dessa meta, que é de 6,5%. Se essa barreira for ultrapassada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, terá de escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, no próximo ano, para justificar a súbita alteração nos índices, o que representa também reconhecer o insucesso da política monetária.

A declaração de Dilma, numa rápida entrevista após ser vacinada contra a gripe e promover o início da campanha nacional da vacinação, representou uma mudança da posição da presidente diante do risco do aumento dos preços. Desde que assumiu o governo, Dilma tinha se limitado a dizer que não permitiria a volta da inflação e que o País continuaria crescendo.

Propostas. Logo pela manhã, Dilma recebeu Mantega, para avaliar novas medidas de combate à inflação. Apesar das declarações mais fortes, auxiliares da presidente disseram que as propostas discutidas não são "radicais", mas apenas pontuais. A preocupação de Dilma é segurar o câmbio e conter a valorização do real. Mas é aí que todas as iniciativas tomadas até agora têm patinado. Nas conversas reservadas com sua equipe, Dilma costuma dizer que é importante não deixar parecer que a inflação está fora de controle.

Uma parte da equipe do governo defende uma posição mais clara e forte da presidente na mídia para deixar claro o esforço no combate à inflação. Por enquanto, Dilma segue a avaliação de outros assessores que defendem mais cautela, sob argumento de que o problema ainda não é um problema nacional.

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