Tiago Queiroz/Estadão
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Projeção para a inflação tem sétima alta seguida e se aproxima de 10% em 2015, diz Focus

Os economistas ouvidos pelo Banco Central agora esperam inflação de 9,91% em 2015 e de 6,29% em 2016; preços administrados devem subir 16,5% este ano, segundo as projeções

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 09h37

Atualizado às 10h10

BRASÍLIA - As projeções para a inflação deste ano subiram pela sétima vez consecutiva e passaram de 9,85% para 9,91% no Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira, 3. Há quatro semanas, as projeções estavam em 9,53%. 

Para 2016, a mediana para o IPCA avançou de 6,22% para 6,29%. Esta é a 13ª semana consecutiva de elevação. Há quatro edições, o ponto central da pesquisa era de 5,94%. A meta de 2016 é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, o que abrigaria uma taxa de até 6,50%. 

No caso do Top 5 de 2015 - elite dos economistas que mais acertam as previsões para a inflação no médio prazo - o ponto central da pesquisa atingiu dois dígitos pela primeira vez: a mediana das previsões desse mesmo grupo saltou de 9,95% para 10,03% - também bem acima do teto da meta deste ano, que tem os mesmos parâmetros da de 2016. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,66%. 

As projeções para os preços administrados voltaram a subir tanto para 2015 como para 2016. Segundo o boletim, a mediana das previsões para esse conjunto de itens no ano que vem passou de 6,60% para 6,75%. Há quatro semanas, estava em 6,00%. Para 2015, as estimativas do mercado financeiro para os preços administrados saiu de 16,11% para 16,50% de uma semana para outra - um mês atrás, a mediana das estimativas era de 15,55%.

Apesar da piora nas perspectivas de inflação, os economistas mantiveram as projeções para os juros. A pesquisa semanal Focus do Banco Central mostrou nesta terça-feira que a projeção para a taxa básica de juros no fim de 2016 permanece em 13% e, para o fim de deste ano, continua no atual patamar de 14,25%.

O BC piorou na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sua previsão para a inflação neste ano e no próximo e afirmou que permanecerá vigilante "independentemente do contorno das demais políticas", imprimindo algum viés de alta para eventualmente elevar os juros básicos mais à frente.

Atividade econômica. O Focus trouxe mais revisões para o Produto Interno Bruto (PIB) deste e do próximo ano. De acordo com o documento, a perspectiva de retração da economia este ano passou de 3,02% para 3,05% - um mês antes estava em queda de 2,85%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1,43% para -1,51%. Quatro semanas atrás estava negativa em 1,00%.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

Câmbio. As estimativas para o dólar ao final de 2015 e 2016 foram mantidas no Relatório de Mercado Focus. De acordo com o boletim, para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em R$ 4,20 de uma semana para outra. Há quatro edições do Focus a perspectiva era de uma cotação de R$ 4,00. No caso de 2015, as projeções para o dólar no fim do ano seguiram em R$ 4,00, como visto há quatro edições consecutivas. (Com informações da Reuters)

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