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Projeção para alta do PIB recua e passa de 0,93% para 0,87%

Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,23%; para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do PIB em 2,20%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 09h33

BRASÍLIA - A expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 recuou mais uma vez, agora de 0,93% para 0,87%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,23%. Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do PIB em 2,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. 

No dia 14, o BC informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) cedeu 0,47% em abril ante março. Em relação a abril do ano passado, houve queda de 0,62%. 

A projeção do BC para o crescimento do PIB em 2019 é de 2,0%. Esse porcentual deve ser atualizado nesta semana, na divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Na semana passada, o BC afirmou, no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que os índices recentes de atividade "indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres".

Já sobre a Selic para o fim de 2019, a expectativa do mercado é a de que a taxa vai permanecer em 5,75% ao ano. Após o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana passada, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a taxa básica de jurosno fim de 2019 e 2020. 

O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira, 24, que a mediana das previsões para a Selic em 2018 seguiu em 5,75% ao ano. Há um mês, estava em 6,50%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 6,50% ao ano, ante 7,25% de quatro semanas atrás. 

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,50%, ante 8,00% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,50%, igual ao visto um mês antes.

Na última quarta-feira, 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção, pela décima vez consecutiva, da Selic em 6,50% ao ano. Ao mesmo tempo, vinculou eventuais novos cortes da taxa ao andamento da reforma da Previdência no Congresso. No comunicado sobre a decisão, o BC também disse que a recuperação econômica parou e avaliou que o cenário externo está mais favorável. 

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 5,75% para 5,50% ao ano, ante 6,50% de um mês antes. No caso de 2020, foi de 6,50% para 6,25%, ante 7,00% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 seguiu em 7,50%. Há um mês, estava em 8,00%. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, ante 7,75% de um mês antes. 

Neste ambiente de forte queda nas projeções para a atividade econômica, os economistas do mercado financeiro seguiram projetando, nesta semana, três cortes consecutivos da Selic (a taxa básica de juros) ainda em 2019, a partir de setembro. 

Dados do Sistema de Expectativas de Mercado do relatório Focus, divulgados hoje, mostram que a Selic deve cair de 6,50% para 6,25% ao ano em setembro. Depois, ela deve recuar a 6,00% em outubro e a 5,75% em dezembro deste ano. Estas projeções de cortes apareceram pela primeira vez no sistema na semana passada.  

As projeções atuais do mercado são de que, após estes três cortes, a taxa básica deve permanecer em 5,75% ao ano até agosto de 2020. Depois disso, um novo ciclo começaria, desta vez de alta da Selic, que atingiria 6,00% em setembro de 2020, 6,25% em outubro de 2020 e 6,50% em dezembro de 2020. 

IPCA 

A projeção mediana para o IPCA 2019 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis passou de 3,83% para 3,80%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Houve 89 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 4,10%. 

No caso de 2020, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis foi de 3,99% para 3,90%. Há um mês, estava em 4,00%. A atualização no Focus foi feita por 83 instituições.

As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020. Elas constaram no comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada. Na ocasião, o BC manteve a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano, pela décima vez consecutiva.  

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA em junho de 2019, de deflação de 0,01% para deflação de 0,02%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central. Um mês antes, o porcentual projetado indicava inflação de 0,27%. 

Para julho, a projeção no Focus seguiu em alta de 0,20% e, para agosto, com elevação de 0,12%. Há um mês, os porcentuais de alta eram de 0,20% e 0,12%, respectivamente.

No Focus de hoje, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,57% para 3,56% de uma semana para outra - há um mês, estava em 3,56%. 

Câmbio 

O relatório de mercado Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2019. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano seguiu em R$ 3,80, igual ao visto um mês atrás.  

Para o próximo ano, a projeção para o câmbio permaneceu em R$ 3,80, igual ao verificado quatro pesquisas atrás. 

Superávit comercial

Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2019 na pesquisa Focus realizada pelo Banco Central, de superávit comercial de US$ 50,50 bilhões para superávit de US$ 50,60 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 50,25 bilhões. Para 2020, a estimativa de superávit foi de US$ 46,00 bilhões para US$ 46,40 bilhões, ante US$ 45,33 bilhões de um mês antes.

Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2019 ficará em US$ 40,00 bilhões. Esta projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.  

No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2019 seguiu em déficit de US$ 23,00 bilhões, ante US$ 25,00 bilhões de um mês antes. Para 2020, a projeção de rombo permaneceu em US$ 32,80 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 35,30 bilhões. O BC projeta déficit em conta de US$ 30,8 bilhões em 2019.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário nos próximos anos. A mediana das previsões para o IDP em 2019 foi de US$ 84,30 bilhões para US$ 85,00 bilhões, ante US$ 83,29 bilhões de um mês atrás. 

Para 2020, a expectativa foi de US$ 84,36 bilhões para US$ 84,28 bilhões, ante   US$ 84,36 bilhões de um mês antes. O BC projeta IDP de US$ 90,0 bilhões em 2019. 

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