Projeção para o IGP-M neste ano dispara, revela Febraban

Expectativa subiu de 5,22% para 6,12%. Com isso, projeções para as taxas de juros também aumentaram

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

29 de abril de 2008 | 12h40

A pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de Projeções e Expectativas de Mercado mostrou alteração significativa das previsões sobre juros, em razão da aceleração da inflação. A previsão média dos 35 bancos consultados pela entidade para o Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M) disparou de 5,22% para 6,12% neste ano e para 2009 avançou de 4,40% para 4,53%.   Veja também: Mesmo sem alta da gasolina, IGP-M está acima das previsões Especial: Entenda a crise dos alimentos  Compare a taxa Selic com os juros ao consumidor  Especialista da Fipe comenta aceleração da inflação       Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - a previsão subiu de 4,48% para 4,75%, enquanto as apostas para o índice no ano que vem avançaram de 4,30% para 4,35%.   Neste contexto, 69% dos bancos consultado apostam que o Banco Central vá elevar os juros para 12,25% na reunião do Copom de junho. Atualmente, a Selic (a taxa básica de juros da economia) está em 11,75% ao ano. Ou seja, mais um aumento de 0,5 ponto porcentual.   A pesquisa da Febraban revela ainda que as altas para a Selic não param por aí. Para o final do ano, é esperado mais um aumento de 0,5 ponto porcentual, com a taxa básica em 12,75% ao ano. De acordo com a entidade, 44% das instituições financeiras consultadas alteraram suas projeções macroeconômicas após a última decisão e ata do Copom, depois que o BC surpreendeu o mercado e elevou os juros em 0,50 pontos porcentuais.   O economista chefe da Febraban, Nicola Tingas, vê uma "pressão generalizada" nos preços. "O quadro inflacionário está se tornando mais robusto", disse. Entretanto, ele destacou que a pesquisa divulgada hoje pela entidade mostra um cenário de transição de expectativas, chamando a atenção para uma concentração crescente nos patamares superiores de projeções da Selic. Ele destacou que as previsões de alguns bancos para a taxa de juros básica no final do ano chegam a até 13,75%. "Não me surpreenderia se na próxima pesquisa a curva de juros subir ainda mais."   De acordo com Tingas, a pesquisa "traduz o movimento do Banco Central de combater as expectativas com inflação". "A política econômica está combatendo o risco inflacionário que se avoluma e os bancos estão retratando isso", disse. "A incerteza hoje é onde está o teto do processo de ajuste das expectativas (de inflação)." Em sua avaliação, se o BC não subisse os juros já em abril, ele estaria sancionado as expectativas do mercado de pressão sobre os preços.

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