Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Projeção para os juros cai após indicação de Ilan Goldfajn para o BC

Analistas consultados para o Relatório Focus do Banco Central agora esperam a Selic a 12,75% no final de 2016, com início do corte em setembro

Reuters

23 de maio de 2016 | 10h33

SÃO PAULO - As projeções para a taxa básica de juros neste ano e no próximo foram reduzidas na pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, 23, após a indicação de Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central.

O levantamento semanal junto a uma centena de economistas mostrou que a estimativa agora para a Selic no final deste ano voltou a cair, a 12,75%, sobre 13% na semana anterior. O início dos cortes, segundo o Focus, continuou em setembro.

Para 2017, a mediana das projeções mudou para 11,38%, contra 11,50% antes, segunda semana seguida de queda. A Selic está em 14,25% desde julho passado.

O Top 5, grupo que mais acerta as projeções, vê a Selic em patamares mais elevados em ambos os anos. Para 2016 a estimativa permaneceu em 13,75% e para 2017, em 12,25%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, indicou e ex-economista-chefe do Itaú Ilan Goldfajn para chefiar o BC, que ainda precisa passar por sabatina e aprovação no Senado para assumir o posto hoje ocupado por Alexandre Tombini.

Ilan vinha destacando que a recessão no Brasil e o enfraquecimento do dólar sobre o real desde o início do ano estavam entre os fatores que deveriam contribuir para gradual redução das expectativas de inflação, abrindo espaço para o início do ciclo de corte de juros no "segundo semestre, a partir de julho".

Inflação. O Focus apontou que o IPCA deve fechar 2016 com alta de 7,04%, 0,04 ponto porcentual a mais do que na pesquisa anterior e acima do teto da meta do governo, de 6,5%. Para 2017 a expectativa é de inflação de 5,50%, inalterado sobre a projeção anterior e dentro da meta para o ano que vem, de 6,5%, com tolerância de 1,5 ponto.

Em maio, o IPCA-15 subiu 0,86% na comparação mensal, maior nível para o mês em 20 anos, acelerando a alta em 12 meses para 9,62%. 

Já as contas para o dólar diminuíram, a R$ 3,67 em 2016 e R$ 3,88 em 2017; até então, elas indicavam R$ 3,70 e R$ 3,90, respectivamente.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas projetam agora contração neste ano de 3,83%, sobre queda de 3,88% anteriormente. A estimativa de crescimento em 2017 permaneceu em 0,50%.

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