Projeções cada vez mais pessimistas

Incertezas a respeito das eleições e riscos que podem surgir no cenário internacional, além dos efeitos residuais da greve dos caminhoneiros, pioram as projeções para os próximos meses

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2018 | 04h00

Embora lenta, é persistente e extensa a deterioração das expectativas dos economistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) sobre a evolução dos principais indicadores econômicos. As incertezas a respeito das eleições e da capacidade do eleito de fazer o que precisa ser feito para recolocar a economia na rota da estabilidade fiscal e do crescimento se somam aos riscos que podem surgir no cenário internacional e aos efeitos residuais da greve dos caminhoneiros, ocorrida no final de maio, para piorar as projeções para os próximos meses.

O boletim Focus divulgado na segunda-feira, 27, pelo BC, com resultados da consulta realizada no fim da semana passada, trouxe pequenas alterações nas projeções para as variáveis de curto prazo, na comparação com as pesquisas anteriores, mas todas negativas. Isso vem ocorrendo há pelo menos quatro semanas. E, pelo que se pode prever da evolução do cenário político, a deterioração tende a continuar ainda por algumas semanas.

A projeção para a variação em 2018 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, estava em 4,11% há quatro semanas, subiu para 4,15% na semana passada e chegou a 4,17% no último boletim.

Ao manter no início do mês, pela terceira reunião consecutiva, a taxa básica de juros Selic em 6,50%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reconheceu que a inflação de junho, de 1,26%, foi fortemente pressionada pela greve dos caminhoneiros, mas observou que seus efeitos “devem ser temporários”, sugerindo gradual normalização dos preços. É provável que, à eventual persistência desses efeitos, os economistas ouvidos pelo BC tenham adicionado o fator político para projetar uma inflação mais alta.

Pioram também as avaliações do desempenho da economia. Há quatro semanas, a projeção predominante entre os economistas do mercado financeiro era de crescimento de 1,50% do PIB neste ano; agora, projeta-se expansão de 1,47%. A projeção para a produção industrial caiu de 2,91% para 2,61%. Há cerca de um mês, o próprio BC reduziu de 2,6% para 1,6% sua previsão para o crescimento do PIB em 2018.

Igualmente piores são as projeções para o resultado das contas públicas: o déficit primário, previsto em 2,05% do PIB há quatro semanas, agora é projetado em 2,10%.

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