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Projeções otimistas não encontram respaldo no BC

A equipe econômica mais uma vez adotou previsões otimistas no novo relatório de receita e despesas enviado ontem ao Congresso Nacional. Esse cenário mais cor-de-rosa para a economia traçado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento não encontra, porém, respaldo nas projeções do próprio Banco Central. E ajuda o governo a administrar a seu favor as previsões de receitas e despesas, evitando a necessidade de um novo corte adicional de despesas.

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, Laís Alegretti, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2014 | 02h02

O governo optou em fazer previsões mais favoráveis para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, o índice oficial de inflação do País) e o Produto Interno Bruto (PIB) do que o próprio Banco Central incluídas no último Relatório Trimestral de Inflação - há quase dois meses. De la para cá, a arrecadação da Receita Federal frustrou ainda mais as expectativas, com queda generalizada nos principais tributos, e a recuperação da economia é mais lenta do que o previsto, com risco de recessão.

No cenário econômico traçado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, a economia crescerá 1,8% este ano - quase o dobro dos 0,97% que esperam os analistas do mercado financeiro na Pesquisa Focus. O BC projeta um crescimento de 1,6% para o PIB este ano e de 6,4% para o IPCA. Já o relatório divulgado ontem incluiu uma previsão bem melhor para o IPCA no final do ano, de 6,2%.

No relatório orçamentário, o governo afirmou apenas que as alterações observadas nos parâmetros refletem a redução da projeção da taxa de crescimento real do PIB para 1,8%, "refletindo os dados trimestrais apurados pelo IBGE". "Já a majoração na projeção do IPCA está em consonância com as altas verificadas nos dados realizados até junho", resumiu o relatório, sem dar detalhes sobre a definição das projeções.

Ao prever um crescimento melhor do que o esperado pelo mercado, o governo consegue, sobretudo, evitar ajustes maiores na previsão de arrecadação dos principais tributos que sofrem impacto mais forte do ritmo da atividade econômica. O governo também administrou as expectativas a seu favor ao manter a previsão do déficit da Previdência em 2014 em R$ 40,1 bilhões, valor considerado extremamente otimista pelos analistas, pois é uma estimativa bem inferior ao déficit de R$ 51,2 bilhões registrado em 2013. Em algum momento, como ocorreu em 2013, o governo terá de trazer a projeção do rombo do INSS para a realidade. Mas isso só deverá ocorrer no final do ano, depois das eleições presidenciais.

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