Projeto Carnalita garante produção de potássio por 30 anos

Expectativa é que o projeto adicione um volume anual de 1,2 milhões de toneladas à produção de potássio em Sergipe, permitindo ao País uma economia de US$ 17 bilhões em divisas

Angela Lacerda,

23 de abril de 2012 | 17h23

ROSARIO DO CATETE (SE) - Um contrato para exploração de potássio em Sergipe, assinado nesta segunda-feira, 23, pelas empresas Vale e Petrobrás, no município Rosário do Catete, a 37 quilômetros de Aracaju, com investimentos previstos de US$ 4 bilhões, foi comemorado pela presidente Dilma Rousseff como "um acordo virtuoso". 

Fruto de negociações que se arrastaram por cerca de cinco anos, o contrato vai tornar realidade o Projeto Carnalita, que prevê a produção de potássio a partir desse mineral. A expectativa é que o projeto adicione um volume anual de 1,2 milhões de toneladas à produção de potássio em Sergipe, permitindo ao País uma economia de US$ 17 bilhões em divisas ao longo de 30 anos - período em que as minas de carnalita, a maior planta de extração de potássio no Brasil, serão exploradas. Hoje, o Brasil importa 70% dos fertilizantes que utiliza e 90% do potássio - um dos componentes de fertilizantes.

A Petrobrás é detentora legal da jazida de carnalita e a Vale vai explorar o minério. Atualmente, a Vale explora no Estado minas de silvinita, que devem estar exauridas até 2015. A produção do potássio a partir da carnalita deve ter início em 2016. Na fase de instalação da usina deverão ser contratados quatro mil trabalhadores diretos. Na operação, serão 700. Com o acordo, Sergipe se consolida como o maior produtor de fertilizantes do País.

"Somos importadores, dependentes de fertilizantes, mas não devíamos, porque somos um país com recursos naturais diversificados", destacou a presidente em seu discurso, quando disse que os dois desafios do século XXI são energia e alimento. "Este é um momento estratégico para o País porque o fertilizante é crucial para a segurança alimentar", afirmou, ao se referir ao contrato assinado.

Segundo Dilma, o Brasil vem conquistando sua autossuficiência do petróleo e descobriu o pré-sal. "Hoje somos grande potência energética e vamos nos tornar exportadores", afirmou. "O petróleo é essencial porque ainda será por algumas décadas a grande energia que movimentará as economias, garantirá as condições básicas para o país se desenvolver". Em relação aos alimentos, ela destacou sermos "um dos maiores do mundo em capacidade de produção de alimento por hectare.

No seu discurso, a presidente disse ainda ser importante que o Brasil seja hoje a sexta nação do mundo do ponto de vista da economia. "Mas o que queremos é que o Brasil seja a sexta sociedade em condições de vida da população brasileira. Isso significa trabalho decente, acesso à educação de qualidade", disse ela. "Ao lado do bolsa família, temos que dar conta simultaneamente de aumentar a oportunidade de trabalho e melhorar a qualificação do trabalhador com escolas profissionalizantes", defendeu. "O Brasil está fazendo esforço".

Estiveram presentes à solenidade os ministros do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, do Planejamento Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e das Minas e Energia, Edson Lobão, além dos presidentes da Petrobras, Maria das Graças Foster, e da Vale, Murilo Ferreira.

O governador de Sergipe, Marcelo Deda, apontado como um dos responsáveis pelo fechamento do acordo, comemorou: "é um investimento equivalente a duas montadoras".

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