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Projeto de moradias tenta revitalizar o centro de São Paulo

Estratégias de revitalização dos grandes centros urbanos estão entre os temas que serão discutidos no evento Summit Imobiliário Brasil

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2015 | 02h03

A revitalização e povoamento de áreas centrais sempre foi um desafio para as principais metrópoles, e um desejo antigo para São Paulo. Uma parceria público-privada (PPP), com participação do governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo, busca caminhar nessa direção: o projeto prevê a construção de 14 mil moradias em áreas abandonadas ou degradadas em regiões como Barra Funda, Bom Retiro, Santa Cecília, Pari, Brás e Belém.

O contrato do primeiro lote, vencido pela construtora mineira Canopus Holding S/A, foi assinado na semana passada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo prefeito Fernando Haddad (PT), e prevê a construção de 3.683 moradias na região da Barra Funda, zona oeste da capital, utilizando o terreno de uma antiga usina de asfalto.

Estratégias de planejamento urbano e de revitalização de grandes centros serão alguns dos temas abordados no 1.º Summit Imobiliário Brasil 2015, evento promovido pelo Estado e pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) no dia 14 de abril, no hotel Grand Hyatt, em São Paulo, com os maiores líderes do setor. Dentre os palestrantes estão Peter Freeman, responsável pelo projeto de revitalização da região de King's Cross em Londres, e Jaime Lerner, arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, onde liderou a revolução urbana que fez da cidade referência em planejamento urbano.

Integração. Segundo Rodrigo Garcia, secretário estadual da Habitação, a PPP é inovadora, pois permite a integração entre áreas de moradia, lazer e serviços. "A PPP vem ao encontro de um esforço antigo do governo de repovoamento do centro de São Paulo. O modelo urbanístico que nós desenhamos prevê vários formatos de imóveis, para haver uma harmonia urbana", diz. "Além disso, 30 mil metros quadrados serão destinados a serviços privados, como lojas e opções de lazer, e 3 mil metros quadrados a equipamentos públicos, como hospitais", exemplifica.

O modelo também contribui, segundo o secretário, para a integração social, uma vez que o edital, publicado em setembro do ano passado, prevê que a empresa terá de erguer 2.260 unidades de habitação de interesse social (HIS) - destinadas a famílias com renda de um a seis pisos salariais -, e outras 1.423 unidades de habitação de mercado popular (HMP), que contempla famílias com renda entre seis e dez pisos salariais. O piso salarial em São Paulo é de R$ 905.

Além de contemplar famílias de baixa renda, outro critério utilizado para acesso às novas unidades será no caso de pessoas que trabalham no centro e moram em regiões periféricas.

Para o primeiro lote, está previsto o investimento privado de R$ 900 milhões. A Prefeitura entra com aporte de R$ 80 milhões (que inclui os terrenos) e o Estado, com R$ 465 milhões. "A empresa que ganhou a licitação tem quatro meses para aprovar os projetos. Depois disso, as construções devem começar num período de seis meses a um ano. Mas não vamos esperar tudo para entregar as unidades - elas serão entregues aos poucos", diz Garcia.

Num primeiro momento, não houve empresas interessadas nos três outros lotes previstos pela PPP. Segundo a secretaria, esses lotes estão sendo reestudados, e novos editais serão lançados. "O cenário do mercado imobiliário mudou, então estamos reavaliando os projetos", diz Rodrigo Garcia. "A crise pode se transformar numa grande oportunidade - construir moradias mais rápido e a um custo mais barato."

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