Projeto embute preocupação com segurança

Governo vai exigir que parceiro privado crie um centro de gerenciamento específico para evitar possíveis invasões

Anne Warth, Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2017 | 05h00

A transferência da gestão dos sistemas de comunicação para uma empresa privada traz uma preocupação para a Aeronáutica. Segundo o chefe da divisão técnica da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo, coronel André Jansen, o controle de acesso e o estabelecimento de uma forte política de segurança da informação são prioridade para os militares.

Para reforçar a segurança, o governo vai exigir que o parceiro privado crie um centro de gerenciamento de redes e um centro específico para o gerenciamento da segurança da informação. Nesses locais, haverá uma equipe de profissionais dedicados 24 horas por dia, sete dias por semana, para monitorar tentativas de invasão, malware, vírus e outras ameaças cibernéticas.

“Esse é um tema que preocupa a todos”, reconheceu Jansen. “Vamos migrar para um sistema baseado em redes IP, nos quais circulam voz e dados. Temos que aceitar essa preocupação, pois é um outro mundo.”

O contrato também vai prever o funcionamento em situações atípicas. Exemplo: se o Brasil entrar em guerra com algum outro país, e a empresa responsável pelo sistema pertencer a esse país. “É algo que tem de ser pensado e bastante explorado. Seria uma contingência em cenário atípico, em um estado de exceção”, afirmou. Ele, no entanto, diz que não haverá risco, porque a infraestrutura de satélites, que a Aeronáutica já utiliza, não será cedida para o parceiro privado. Hoje, ela serve como um seguro, caso as redes terrestres deixem de funcionar.

A presença de empresas privadas nos sistemas de comunicação da Aeronáutica pode parecer uma novidade, mas isso já é uma realidade, explica Jansen. “Atualmente, as redes que usamos não pertencem à Aeronáutica, mas às próprias empresas prestadoras de serviços”, disse. Segundo o coronel, isso não significa que os sistemas são vulneráveis. “Temos mecanismos para proteger essas informações e usamos criptografia para que esses dados não vazem.”

Riscos. O professor de navegação aérea da Universidade de São Paulo (USP), Jorge Bidinotto, concorda que a exposição aos riscos não mudará com o novo modelo. “Com ou sem PPP, os riscos que já existem e vão continuar existindo.”

Bidinotto ressalta que a transferência da gestão exige minucioso trabalho de amparo legal. “É um acordo que precisa ser muito bem amarrado. Se o contrato tiver brechas, seria temerário para a segurança da informação”, diz.

O professor cita que outro risco associado ao contrato é a chance de aumento de custos, o que poderia chegar até o consumidor. Ele explica que a taxa de embarque cobrada dos passageiros em voos comerciais serve para bancar diversos custos, como serviços e até o salário dos controladores. “Isso poderia aumentar com o tempo”.

Embratel e Harris foram procuradas, mas não quiseram se manifestar a respeito do projeto. 

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