Projeto na Venezuela vira 3ª opção na América Latina

Parceria entre a Braskem e a Pequiven, anunciada em 2007, ainda não saiu do papel, e não tem hoje nem cronograma oficial

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h07

A assinatura de um memorando de entendimento entre a Braskem e a Petroperú e as perspectivas de atratividade do projeto no país andino são mais um revés para o plano venezuelano de construir um polo petroquímico. Anunciada em 2007, a parceria entre a Braskem e a estatal venezuelana Pequiven para a construção de um complexo na região de Jose perdeu espaço a partir de 2009 para o projeto do grupo brasileiro de ingressar no México. Agora, o polo peruano também ganha maior relevância do que a unidade venezuelana, tendência que deverá ser confirmada assim que a viabilidade do complexo for comprovada.

A unidade peruana deverá atender o mercado de países como Chile, Equador e Colômbia, além do Peru. De acordo com o diretor de Negócios Internacionais da Braskem para a América do Sul, Sérgio Thiesen, a demanda por polietileno (PE) nessa região deve saltar de atuais 500 mil toneladas para aproximadamente 1 milhão de toneladas anuais em 2018, ano em que deve entrar em operação o polo. "O projeto visa atender a região do Pacífico na América do Sul", diz.

O complexo a ser construído em parceria com a Pequiven, formado por uma fábrica de eteno e unidades de produção de PE, também tinha como objetivo atender a essa região, além da costa oeste dos EUA e a Europa. "Se forem confirmadas as condições que estamos analisando no Peru, outros projetos poderão vir em um horizonte mais extenso", diz Thiesen, indicando que o projeto de construção de uma central petroquímica na Venezuela não deve sair tão cedo.

Neste momento, a prioridade da Braskem no país é viabilizar uma fábrica de polipropileno (PP), projeto também anunciado em 2007. A unidade, porém, já passou por diversas mudanças, até em relação à origem da matéria-prima e localização. Com previsão inicial de operação no segundo semestre de 2010, a fábrica não tem hoje nem um cronograma oficial.

A preferência dada pela Braskem ao México e ao Peru tem diversas origens. Além do perfil semelhante dos projetos, com capacidade anual de aproximadamente 1 milhão de toneladas de eteno e parceria com empresas locais, e da condição política mais estável desses países, ambas as nações enfrentam escassez de matéria-prima petroquímica. No Peru, a demanda atual de aproximadamente 100 mil toneladas anuais é atendida basicamente por importações, a partir de países como China e Coreia do Sul, além do Brasil.

Outra diferença importante é o equacionamento da matéria-prima. Mais de quatro anos depois do anúncio de possível parceria com a Pequiven, a Braskem ainda negocia com a sócia e com o governo venezuelano alternativas para solucionar a questão do fornecimento do gás natural.

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