Wilton Junior/Estadão
 Daniela Souza e Gabriel Arca hóspedes do Upliving, usufruem das áreas comuns Wilton Junior/Estadão

Projeto que transformou hotel em moradia estudantil somou R$ 60 milhões

Para a Uliving foi uma oportunidade e a vista para a Baía de Guanabara e para o Corcovado, um dos trunfos ainda presentes no prédio

Gabriel Baldocchi, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00

A decisão da Uliving de escolher o prédio do icônico Hotel Novo Mundo para a unidade carioca de sua rede de moradia estudantil se resume a uma palavra: oportunidade. Era a localização ideal e com fácil acesso. O prédio era um pouco maior do que o buscado, mas tudo se resolveu na hora da negociação. O investimento total no projeto somou R$ 60 milhões, entre a compra do edifício e os gastos da reforma.

"O mercado hoteleiro já estava sofrendo muito. Para ser um hotel ali, teria de ser completamente inovador e talvez a região não fizesse sentido", afirma Juliano Antunes, presidente da Uliving. "O que fazia mais sentido realmente era que mudasse o uso." A operação do Novo Mundo, na zona sul do Rio de Janeiro, foi desativada em 2019. O hotel foi inaugurado em 1950.

As obras de adaptação trouxeram surpresas inesperadas, como a necessidade de refazer toda a instalação elétrica e de ar-condicionado. Dois andares inteiros se transformaram para abrir mais quartos e permitir a ocupação atual de 413 estudantes. Uma piscina foi feita na cobertura e as áreas comuns, como a do bar, viraram espaços de convivência como coworking, refeitório e uma sala de cinema.

As adaptações são hoje um diferencial para o consultor de negócios Gabriel Arca, de 27 anos. No trabalho home office, ele diz usufruir da piscina na pausa do almoço. “Acho que eles tiveram mais facilidade de fazer as áreas comuns porque vinha de um hotel”, afirma Arca. “Fez toda a diferença na pandemia.”

O consultor de Niterói diz que já tinha ouvido falar do Novo Hotel, mas nunca visitado pessoalmente. “Ainda tem peças históricas, é um resgate da história do Rio de Janeiro”, afirma. Segundo ele, não há previsão para sair da moradia.

A vista para a Baía de Guanabara e para o Corcovado é um dos trunfos ainda presentes no prédio, assim como os leões de bronze da entrada, que são tombados. Os apartamentos mais privilegiados pela paisagem tiveram uma diferenciação no padrão e são os mais demandados, segundo a empresa.

A memória por trás do prédio ajuda a valorizar o projeto - o hotel abrigou seleções na Copa do Mundo de 1950 e serviu de estadia para presidentes no passado. "Quando a gente fala que remodelou o Hotel Novo Mundo, muito conhecido, de frente para o Aterro do Flamengo, sem dúvida traz um apelo, agrega valor ao serviço prestado", afirma Antunes. "Ajuda na aproximação com as universidades."

A mesma lógica de valorização do histórico estará presente no projeto residencial de luxo capitaneado pelo Opportunity no prédio do Hotel Glória. O empreendimento original foi inaugurado em 1922.

Expectativa é abrir até 10 novos empreendimentos em 3 anos

Como parte do plano de expansão, a Uliving espera investir uma média de R$ 50 milhões por projeto, incluídos os custos de engenharia para fazer o retrofit de hotéis. A expectativa é abrir oito ou dez novos empreendimentos nos próximos três anos.

Também interessada na conversão de hotéis, a incorporadora Bait cita uma característica específica do mercado carioca no tema. Henrique Blecher, presidente da empresa, lembra que a oferta de terrenos é mais limitada no Rio e destaca uma estrutura mais compacta dos hotéis, que pode ser adaptada para outros usos.

"As estruturas podem passar por um retrofit: em vez de ter quatro elevadores, passa a ter dois", exemplifica. "O Rio de Janeiro passou por uma tempestade perfeita, tem uma superoferta de quartos e muito hoteleiro não aguentou. A quantidade de hotéis disponíveis é razoavelmente grande."

Na sua avaliação, endereços icônicos ajudam a valorizar os projetos, mas não são suficientes para garantir um diferencial. Hoje, uma das formas de tentar agregar valor nos residenciais de luxo que a incorporadora vem lançando é priorizar áreas comuns maiores, por exemplo.

A empresa lançou no ano passado empreendimentos com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 250 milhões. Nas próximas semanas, deve apresentar mais um projeto ao mercado, no endereço onde funcionou a churrascaria Plataforma, reduto da boemia carioca nos anos 1980.

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