Projetos de Eike para o Rio continuam no papel

Modernização da Marina da Glória e despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas estão entre os projetos ameaçados pela crise do grupo

FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h05

A derrocada das empresas de Eike Batista já teve impacto em projetos anunciados pelo empresário para a cidade do Rio e em compromissos ambientais do Grupo EBX com o governo estadual. Reforma do Hotel Glória, modernização e despoluição da Marina da Glória, criação do Parque Estadual Lagoa do Açu e uma solução apontada como definitiva para recuperar a Lagoa Rodrigo de Freitas são alguns dos projetos ameaçados.

A EBX confirmou que está avaliando com a prefeitura a "transição" da concessão da área da Marina da Glória. Eike tenta emplacar há anos um polêmico projeto de "modernização" da Marina, assinado pelo arquiteto Índio da Costa, que cria uma estrutura de 15 metros de altura, com centro de convenções, lojas e 600 vagas de estacionamento no local. Mas, na semana passada, foi publicada no Diário Oficial do Município a criação de uma comissão com integrantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para avaliar os parâmetros para a escolha do melhor projeto para a Marina, por meio de concurso internacional.

Eike também comprometeu-se com obras para acabar com o lançamento de esgoto na área da Marina. Orçado em R$ 6 milhões, o projeto está atrasado.

Outro grande projeto na região é a reforma do Hotel Glória, inaugurado em 1922 e comprado por Eike em 2008. A obra, que recebeu R$ 190 milhões do BNDES por meio do programa ProCopa, atrasou e não ficará pronta até a Copa de 2014. No mês passado, Eike anunciou que havia colocado parte do negócio à venda. Na sexta-feira, a EBX informou que o "avanço das negociações resultou em adaptações do cronograma para atender às necessidades operacionais da empresa de hotelaria que vai gerir o hotel".

Segundo a EBX, a linha de financiamento ProCopa "estipula para 2014 o cumprimento do prazo apenas para a amortização, desde que o empreendimento receba o 'Habite-se' até o fim de 2015". O empresário também prometeu investimentos em melhorias no entorno da Igreja da Glória, mas o projeto não avançou.

Açu. Entre os compromissos da EBX incluídos como condicionantes no licenciamento ambiental do Porto do Açu, um megaprojeto no norte fluminense, o Estado apurou que pelo menos três estão atrasados: investimentos de R$ 5 milhões para equipar o Parque Estadual Lagoa do Açu; de R$ 5,7 milhões para dar início ao Projeto de Monitoramento do Muriqui, maior primata das Américas; e plantio de 5 mil hectares com espécies de vegetação de restinga.

A EBX informou que: 1) "Não foi notificada sobre onde aplicar tais recursos"; 2) "Tem autonomia de gestão e não há em suas licenças ambientais a exigência de aplicação de recursos para o projeto em referência"; e 3) "Nos 5 mil hectares previstos para a compensação, serão aplicadas outras técnicas de recomposição de áreas de restinga, e não apenas o plantio direto".

No caso da recuperação ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas, a EBX informou ter investido R$ 23 milhões de setembro de 2008 a dezembro de 2012. Porém, a parte mais ambiciosa do projeto Lagoa Limpa, parceria da EBX com os governos estadual e municipal, é a criação de um sistema para aumentar a troca de água entre a lagoa e o mar, possivelmente por meio de dutos afogados.

O projeto está orçado em R$ 40 milhões e, segundo a EBX, "esta etapa ainda deve ser avaliada pelos órgãos públicos competentes". Sem financiamento privado, porém, dificilmente sairá do papel. / COLABOROU MARCELO GOMES

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