Ministério da Infraestrutura/ Divulgação
Ministério da Infraestrutura/ Divulgação

Projetos de ferrovias privadas com R$ 47 bilhões previstos em investimento avançam na ANTT

Agência aprovou a chamada 'compatibilidade locacional' de cinco trechos, passo necessário para o Ministério da Infraestrutura autorizar a construção e o funcionamento dessas ferrovias

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2021 | 17h32

BRASÍLIA - Os planos de construção de novas ferrovias privadas no Brasil registraram os primeiros avanços concretos nesta quinta-feira, 18. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a chamada “compatibilidade locacional” de cinco trechos, um passo necessário para o Ministério da Infraestrutura futuramente autorizar a construção e o funcionamento dessas ferrovias. Somente esses projetos envolvem R$ 47,4 bilhões em investimentos privados.

Os pedidos para empreender os segmentos foram feitos com base em medida provisória editada pelo governo em agosto. O texto libera um novo regime ferroviário no País, chamado de autorização. Nele, traçados são construídos exclusivamente pelo interesse da iniciativa privada, sem licitação.

Muito comum em países como Estados Unidos e Canadá, o modelo nasce para atender demandas específicas de transporte de cargas, identificadas pelos próprios produtores e empresas. Desde que a MP foi publicada, o governo já recebeu mais de 20 solicitações para construção de ferrovias, com investimentos que ultrapassam R$ 100 bilhões.

Pelo texto da MP, a compatibilidade locacional para instalação de nova ferrovia existe quando há possibilidade de implantação geométrica da infraestrutura projetada. Após esse requisito ser avalizado pela ANTT, o Ministério da Infraestrutura fica responsável por analisar se a ferrovia projetada apresenta convergência com a Política Nacional de Transporte. Com esses pontos avaliados, a pasta pode resolver sobre a autorização do novo trecho.

Os trechos ferroviários que avançaram nesta quinta-feira na ANTT ficam entre as seguintes cidades: 

  • Presidente Kennedy (ES) a Conceiçã do Mato Dentro (MG) e Sete Lagoas (MG), solicitado pela Macro Desenvolvimento;
  • Cascavel (PR) e Chapecó (SC), pedido pela Ferroeste-Estrada de Ferro Paraná Oeste; 
  • Barra de São Francisco (ES) e Brasília (DF), requerida pela Petrocity Ferrovias;
  • Alcântara (MA) e Açailândia (MA), solicitado pela GrãoPará Multimodal; 
  • Ipojuca (PE) e Curral Novo do Piauí (PI), pedido pela Planalto Piauí Participações e Empreendimentos. 

"Estou ansioso para que essas autorizações virarem ferrovias", disse o diretor Fabio Rogério Carvalho.

Esses foram os primeiros projetos requeridos a partir do novo regime a obter aval em torno da compatibilidade locacional. Em outubro, a agência começou a analisar outros casos, mas a votação foi interrompida por um pedido de vista do diretor Guilherme Sampaio

Na ocasião, o que estava em debate eram projetos ferroviários apresentados pela VLI Logística, dois deles coincidentes com os planos da Rumo, situação que tem gerado embates no setor. O imbróglio envolve o interesse mútuo das empresas em construir dois trechos que ligam os mesmos destinos: de Lucas do Rio Verde (MT) a Água Boa (MT), e de Chaveslândia (MG) a Uberlândia (MG).

O novo regime de ferrovias também está em discussão no Congresso. Um marco legal atualizado do setor, que tem como principal objetivo a liberação do modelo de autorização, foi aprovado pelo Senado no último mês. Agora, a matéria precisa ser deliberada pela Câmara dos Deputados. A aprovação nas duas Casas é importante para o governo porque a medida provisória, que vence em fevereiro, não será votada pelos parlamentares, que optaram por dar prioridade à proposta que era discutida pelo Senado desde 2018.

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