Projetos de longo prazo dependem de empréstimos estatais

Dois terços de todos os financiamentos saem do BNDES, que esta semana fez o maior empréstimo da história

RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h58

Responsável por mais de dois terços de todos os empréstimos de longo prazo (mais de cinco anos) concedidos no País, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assumiu um gigantismo que o próprio presidente da instituição, Luciano Coutinho, já reconheceu não ser o tamanho adequado para o banco de fomento. Repetidas vezes, o executivo já defendeu a maior participação de agentes privados como alternativa para "tirar um pouco o peso" do BNDES no financiamento ao crescimento econômico.

Com desembolsos de R$ 513 bilhões desde a crise de 2008 até 2011 - e que podem bater R$ 663 bilhões no acumulado até 2012, caso se concretize a estimativa de liberar R$ 150 bilhões em empréstimos este ano -, o banco estatal é a principal fonte de recursos de projetos de grande porte. Sem a chancela do BNDES, seria quase impossível tirar do papel os cinco grandes projetos de infraestrutura dos últimos quatro anos, para os quais o banco aprovou empréstimos que somaram R$ 57,1 bilhões.

O último foi o financiamento da usina hidrelétrica de Belo Monte, que recebeu, na semana passada, aprovação de financiamento R$ 22,5 bilhões, o maior da história do banco para um único projeto, que foi criado em 1950, na era Vargas, como um instrumento para efetivar projetos estatais de infraestrutura nas áreas de siderurgia e energia.

O projeto da usina no Rio Xingu desbancou outros empréstimos recentes com prazos de pagamento entre 20 e 30 anos, que já haviam surpreendido pelo porte, como a Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, aprovado em 2009, no valor de R$ 9,9 bilhões; a usina nuclear Angra 3, no litoral sul do Estado do Rio, de R$ 6,1 bilhões, aprovado em 2010, e as duas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia: Santo Antônio, com empréstimo de R$ 6,1 bilhões aprovado em 2008, e Jirau, com R$ 9,5 bilhões, incluindo uma suplementação de R$ 2,3 bilhões aprovada em setembro.

A relação de dependência entre os projetos empresariais e a capacidade de financiamento do BNDES levou à criação de artifícios pelo governo, como os repasses de recursos do Tesouro Nacional ao banco, que já somam aprovações de R$ 285 bilhões desde o início da crise internacional, em 2008. O resultado fiscal dessa conta só será conhecido a longo prazo e é estimado em dezenas de bilhões de reais.

Hoje, não há grande projeto empresarial que dispense a participação do banco como agente financiador ou mesmo como investidor direto, por meio de sua empresa de participações. O BNDES estima em R$ 1,858 trilhão os investimentos no País entre 2012 e 2015, dos quais R$ 597 bilhões na indústria, R$ 401 bilhões em infraestrutura e a maior parte do volume, R$ 860 bilhões, na construção de residências.

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