Projetos de R$ 4,3 bi esperam recursos do FI-FGTS

Em meio à seca de recursos para o setor de infraestrutura e diante de um novo papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o FI-FGTS (fundo de investimento em infraestrutura gerido pela Caixa) poderia assumir a dianteira de provedor de crédito para o setor, se não fosse a paralisia do seu comitê de investimento. Os projetos prontos que estão na fila para a deliberação dos membros do comitê somam R$ 4,3 bilhões.

MURILO RODRIGUES ALVES, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2015 | 02h04

Desde outubro, por orientação do governo, os integrantes que decidem sobre os novos aportes do fundo bilionário, segundo maior financiador para o setor de infraestrutura no País, não se reúnem. O comitê do fundo, que utiliza o superávit do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) do conjunto dos trabalhadores brasileiros, volta a se encontrar amanhã para eleger o novo presidente.

Esses projetos estão emperrados porque precisam da análise dos membros do comitê, pois a área técnica da Caixa, que administra o FI-FGTS, já preparou os pareceres. São necessárias duas aprovações do comitê para a liberação dos financiamentos. Do valor que está na fila, R$ 1,1 bilhão espera aprovação final do comitê para os desembolsos (os integrantes já tinham autorizado os aportes em uma primeira votação) e R$ 3,2 bilhões aguardam o sinal verde para que a Caixa possa iniciar o processo de estruturação de ativos. Nessa etapa, as empresas precisam provar que conseguirão fazer frente ao financiamento.

O valor é significativo no atual momento em que as fontes de financiamento para o setor secaram, como consequência, principalmente, dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Além disso, a equipe do ministro Joaquim Levy tem novos planos para o BNDES, que nos últimos anos se tornou o principal financiador de projetos de longo prazo.

O problema do FI-FGTS não é falta de recursos. Em 2014, o fundo tinha mais de R$ 10 bilhões em caixa, mas o comitê acrescentou apenas um projeto à sua carteira - um aporte de R$ 630 milhões à concessionária de rodovias CCR, que tem como acionistas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido, para recuperação da Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio.

O comitê que decide os investimentos do FI-FGTS é formado por seis representantes do governo, três indicados pelos trabalhadores e três pelos empregadores. A suspensão dos encontros do comitê foi determinação do governo. Há acusações de que partidos com representantes no comitê estariam pedindo doações às campanhas em troca de um "caminho mais fácil" na aprovação dos aportes.

Um terço dos R$ 32 bilhões que constituem o patrimônio do fundo estão em projetos de empresas afetadas pela Lava Jato. Entre eles, R$ 2,4 bilhões em títulos de dívida de longo prazo da Sete Brasil, fornecedora de navios plataformas para exploração da Petrobrás no pré-sal.

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