Projetos de vida na fila do plantão da Caixa

Projetos de vida na fila do plantão da Caixa

Em Brasília, clientes tinham planos concretos para dinheiro das contas inativas do FGTS

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 05h00

O dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) parece resgatar contas do fundo da gaveta e também alimentar planos. No primeiro sábado do plantão para saques, quem deixava as 22 agências da Caixa Econômica Federal que abriram ontem, em Brasília, não escondia a felicidade com o recurso extra. Muitos foram preparados com boletos debaixo do braço para quitar dívidas, mas o dinheiro também despertava sonhos. “O dinheiro será para o futuro do meu filho”, diz a dona de casa Zenda Jesus Alves, de 39 anos.

Junto com o marido, o cunhado e trazendo documentos, Zenda deixou a cidade-satélite Paranoá, a 20 quilômetros da capital, para conferir quem tinha dinheiro a receber. 

Na saída do banco, a dona de casa exibia um sorriso. Lá, Zenda descobriu que tinha depósitos de empregos antigos. “Deu certo”, comemorou, mostrando o extrato impresso. “Esse (recurso) vai ajudar a pagar a faculdade do Paulo. É para o futuro”, disse. Paulo é o filho de 15 anos que, pelos planos da mãe, será advogado.

O auxiliar de cozinha Poliano Cordeiro verificou o saldo com o funcionário da Caixa e confirmou à esposa, Flávia Albuquerque, que a vida da família mudará radicalmente: em abril, o casal e os dois filhos deixarão a capital federal rumo a Umburanas, no interior da Bahia. 

“Lá, é melhor para trabalhar. A gente tem uma terrinha lá e dá para trabalhar na roça”, diz o auxiliar de cozinha, que vive há oito anos em Brasília e postergava o sonho de voltar à Bahia porque não conseguia juntar o dinheiro para as passagens. “Sempre quis voltar e agora vamos conseguir.” 

Balanço. Segundo a Caixa, apenas na sexta-feira, primeiro dia de saques de contas inativas do FGTS, foram atendidas 3,3 milhões de pessoas, entre operações em agências e transferências automáticas. 

O grupo retirou mais de R$ 3,8 bilhões em apenas um dia. Desses, R$ 2 bilhões foram depositados em conta corrente ou poupança dos trabalhadores que já têm relacionamento bancário com a Caixa. 

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