Washington Alves | AE
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Projetos em andamento caíram de 44 para 9

Estratégia da empresa é passar os próximos dois anos com esses empreendimentos até o fim da inidoneidade

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2016 | 22h00

Depois que a Polícia Federal desembarcou na sede da Mendes Júnior, em novembro de 2014, executivos e acionistas fizeram uma via crúcis em bancos e clientes para tentar resolver o problema de caixa da empresa. Mas, sem dinheiro, as renegociações foram em vão. Em março deste ano, a empresa entrou em recuperação judicial. No mês seguinte, outro golpe: a Controladoria-Geral da União (CGU) declarou a companhia inidônea por, pelo menos, dois anos por cometer crimes de corrupção. A empresa contestou. Mas, por ora, continua proibida de participar de qualquer licitação da administração pública.

A carteira de projetos da construtora teve uma queda radical desde o início da Operação Lava Jato. Em setembro de 2014, antes da prisão de Sérgio Cunha Mendes, a companhia tinha 44 projetos em andamento. No início do segundo semestre de 2015, esse número já havia caído pela metade e hoje está em nove projetos – podendo diminuir ainda mais.

Entre as obras que sobraram no portfólio do grupo estão a Linha 2 e 5 do metrô de São Paulo, trecho norte do Rodoanel, Transposição do Rio São Francisco e duas plataformas da Petrobrás, onde a empresa se associou com a chinesa COOEC para concluir o projeto.

Fontes do setor afirmam que é com base nesses poucos empreendimentos que a empresa pretende superar a crise nos próximos dois anos, quando supostamente terminaria o fim da inidoneidade. Esse período coincidiria com a esperada retomada da economia brasileira.

Fundador. Aos 91 anos, Murillo Mendes, que ajudou a fundar a empresa ao lado do pai, continua indo todos os dias à sede da empresa e fica ali por algumas horas. Quer saber as decisões que estão sendo tomadas e ainda dá pitacos nos rumos das negociações. “Há uma fé na recuperação e na tradição da empresa que impressiona”, afirmam executivos de outras construtoras e que têm proximidade com a Mendes Júnior. “Mas a situação não é nada fácil.”

No início do mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o governo federal a substituir a Mendes Júnior por outra construtora nas obras da Transposição do Rio São Francisco. O fluxo de caixa do projeto – com recebimentos no prazo de 45 dias – não estaria sendo suficiente para que a empresa consiga cumprir o ritmo exigido pelo governo. Segundo fontes, a construtora não estaria colocando entraves para a transferência das obras neste momento. Restam ainda R$ 400 milhões em obras para serem concluídas, o que exigiria cerca de 2.600 trabalhadores.

Multas. Com dificuldade para pagar as despesas e o Fisco, a construtora tem sido alvo de uma série de ações judiciais solicitando o bloqueio de bens e a falência da empresa. Além disso, as multas por causa dos crimes cometidos na Lava Jato começam a chegar. Numa delas, a punição somou R$ 138 milhões. E vem mais por aí: Sérgio Cunha Mendes ainda não fez delação premiada, mas segundo fontes estaria negociando um acordo.

Enquanto isso, os executivos trabalham no plano de recuperação da companhia, baseado em ativos e direitos creditórios. A empresa teria cerca de R$ 600 milhões a receber da União e do Estado de Minas Gerais por obras em andamento – ou concluídas. A dívida é de R$ 250 milhões.

Agora é aguardar para saber se o plano será aprovado pelos credores e se a empresa terá força para ressurgir da crise. 

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