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Promessa de cortes nos subsídios no crédito agrícola é atacada por deputado do PSL paulista

Presidente do BB sinalizou que os juros do crédito agrícola no banco público se aproximarão das taxas praticadas no mercado privado

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2019 | 16h51

BRASÍLIA - O plano do governo em cortar os subsídios nos juros do crédito agrícola já enfrenta resistências até mesmo entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), o deputado estadual eleito pelo PSL paulista, Frederico D'Ávila, chegou a participar da transição de governo em Brasília, mas discorda da forma como o Tesouro Nacional e o Banco do Brasil prometem desmontar as subvenções agrícolas.

"Não adianta cortar os subsídios com a promessa de fortalecer o seguro agrícola sem oferecer algo efetivo e funcional para substituir o modelo atual. Alterar a estrutura bancária do crédito agrícola não é uma coisa que faça do dia para a noite", critica D'Ávila.

Ao tomar posse na presidência do BB, Rubem Novaes, sinalizou que os juros do crédito agrícola no banco público se aproximarão das taxas praticadas no mercado privado. A desestatização do crédito público também tem sido uma das teclas mais batidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. "O pessoal é meio afoito e às vezes anuncia as coisas sem saber ainda qual medida será de fato tomada", alfineta o deputado do PSL.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast na semana passada, somente em 2017, o Tesouro pagou R$ 5,01 bilhões ao BB como "equalização" de juros. No primeiro semestre de 2018, o montante ficou em R$ 1,58 bilhão.

"Na origem, eu também sou contra haver subsídios, mas sou a favor do modelo atual porque ele foi montado para corrigir distorções que afetam o campo. O produtor brasileiro hoje tem custos com defensivos, combustíveis e energia, maquinário e folha de pagamento que são bem superiores aos dos nossos concorrentes mais próximos, como Argentina e Paraguai", argumenta o deputado do PSL.

D'Ávila critica ainda o fato de o setor agrícola ainda não ter sido chamado para debater o assunto com o governo. O deputado está capitaneando um movimento para conversar com os técnicos do governo sobre a necessidade de se fazer uma transição para que os subsídios sejam cortados em paralelo a medidas de estímulo à competitividade do setor.

"Queremos ser chamados para conversar. Não adianta os técnicos conversarem dentro de salas fechadas em Brasília e não chamarem quem sabe onde o calo aperta", acrescenta.

No Plano Safra atual, de 2018/2019, a taxa de juro cobrada no Pronamp - um dos principais programas, que atende produtores com renda bruta anual de até R$ 2 milhões – é de 6,0% ao ano. O porcentual está abaixo da Selic (a taxa básica de juros da economia), atualmente em 6,50% ao ano.

"A taxa média de retorno da atividade agrícola varia de 8% a 12%. Não dá para pegar crédito a juro de mercado de 9% ou 10% arriscando até o último fio de cabelo. Na Europa o juro agrícola é zero e nos Estados Unidos não passa de 2%. E eles ainda têm todas as condições competitivas", aponta D'Ávila. "O subsídio é como se fosse um pneu estepe. Não é ideal rodar com ele, mas não dá pra andar sem antes de chegar na borracharia para consertar a roda", conclui.

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