Promessa de juros baixos pode não se concretizar

Ao concorrer em sua primeira eleição, a economista Dilma Rousseff fez poucas promessas na sua área de atuação. A mais importante daria o tom de todo o seu governo: a relação da dívida com o Produto Interno Bruto (PIB) cairia de forma consistente, para permitir a redução da taxa básica de juros do País, uma das mais altas do mundo. É justamente esta promessa que corre risco de ser derrubada pela crise de credibilidade por que passa a política fiscal.

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h11

Ao chegar ao Planalto, em janeiro de 2011, Dilma assistiu ao Banco Central aumentar a taxa Selic herdada de Luiz Inácio Lula da Silva na casa de 10,75% para 11,25%. O "crescimento chinês" do ano eleitoral, na faixa de 7,5%, cobrava o preço da inflação alta. Pressionava os valores de serviços prestados à população, como estacionamentos e salões de beleza. O BC agiu para controlar o IPCA, que naquele ano fechou no limite da meta: exatos 6,5%.

Dois anos depois, os juros chegaram à mínima recorde de 7,25%. Mas a inflação continuava forte, agora com os alimentos e os serviços em conjunto pressionando. O mercado começou a pôr em xeque a própria estabilidade econômica e forçou o BC a elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual até agora. Os juros já estão em 8% e devem continuar subindo.

Na quarta-feira, quando a presidente Dilma Rousseff ocupou o microfone no Palácio do Planalto para defender a política fiscal de seu governo, o mercado foi além. As apostas no mercado de juros futuros apontava uma taxa de 10,5% no final de 2014. Em resumo: a maior promessa econômica de Dilma corre o risco de não se concretizar. /I.D.

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