Prometeram o caos e mandaram só uma boia de salvação

O mundo não acabou com o anúncio oficial da retirada da reforma da Previdência da pauta

Adiana Fernandes, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 05h00

O governo ficou refém da sua “aposta” no catastrofismo econômico caso a reforma da Previdência não fosse aprovada ainda em 2017 ou, no mais tardar, em 2018. Por 14 meses, desde o envio da proposta de reforma ao Congresso, o presidente Michel Temer, ministros, líderes governistas e economistas bateram insistentemente na tecla de que sem a reforma o caos estaria instalado nas contas públicas.

O mundo não acabou com o anúncio oficial da retirada da reforma da pauta. Sem uma “ponte” para continuar insistindo na estratégia de votação da reforma, o governo não teve outra alternativa a não ser tentar acionar o plano B, que sempre negou enquanto tentava sem sucesso angariar os votos para aprovar a proposta.

No improviso, o governo correu para anunciar um pacote de 15 projetos que já estavam mais maduros. É uma “boia” de salvação que o governo jogou ao mar para continuar gerando fatos positivos na agenda econômica.

A maior parte dos projetos incluídos na agenda de prioridades, porém, não traz soluções que possam no curto prazo minimizar o impacto negativo da ausência da reforma da Previdência nas contas públicas.

As únicas exceções foram o projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas e da privatização da Eletrobrás. São dois projetos, porém, que enfrentam forte resistência de diversos setores e com grande influência no Congresso. O que a agenda tem de novo é a tentativa de retomar uma proposta antiga de votação da autonomia do Banco Central.

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