Promotoria de NY abre investigação criminal contra Goldman Sachs

Departamento de Justiça acata pedido de órgão regulador que acusou banco de cometer fraude.

BBC Brasil, BBC

30 de abril de 2010 | 06h27

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal para descobrir se o banco de investimentos Goldman Sachs cometeu fraudes na Bolsa envolvendo a comercialização de produtos hipotecários.

A investigação ainda está em estágio preliminar e, segundo a imprensa americana, é incerto se ela pode resultar em algum indiciamento.

A medida foi tomada em resposta a um pedido feito pelo SEC (Securities and Exchange Commission, órgão que regula o mercado de capitais americano, semelhante à Comissão de Valores Mobiliários brasileira), que está movendo uma ação civil por fraude contra o banco.

A ação da SEC se refere a um produto financeiro atrelado a hipotecas de alto risco (chamadas subprime), negociado pelo banco em 2007, quando o mercado imobiliário dos Estados Unidos começava a apresentar problemas (que depois levariam à crise financeira mundial).

Segundo a acusação da SEC, o banco deu "declarações falsas" e omitiu "informações vitais" sobre o produto financeiro, o que favoreceu o banco e prejudicou investidores.

Para poder indiciar o banco, os promotores do Departamento de Justiça precisarão reunir provas de que a empresa ou seus funcionários cometeram fraude deliberadamente na venda de produtos hipotecários.

O Goldman Sachs se defende das acusações. Na terça-feira passada, o presidente do banco, Lloyd Blankfein, negou em depoimento ao Senado americano que a instituição tenha cometido irregularidades.

"Temos sido uma empresa voltada ao cliente por 140 anos e se nossos clientes acreditam que se não merecemos a confiança deles, não sobreviveremos", disse ele.

Segundo o Wall Street Journal, apesar de várias ações civis e investigações criminais, nenhum executivo de Wall Street ligado à recente crise das hipotecas foi condenado por ofensas criminosas.

O SEC e o Departamento de Justiça normalmente coordenam suas ações em investigações como essas, diz o WSJ. Esta nova investigação mostra os esforços da promotoria em processar os executivos e crimes cometidos em Wall Street, diz o jornal.

Um porta-voz do banco afirmou que a empresa vai cooperar com qualquer pedido de informação. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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