Proposta da VarigLog pode ser vetada por credor da Varig

A proposta da VarigLog para comprar a ex-controladora por cerca de US$ 500 milhões corre o risco de ser vetada pelo maior credor privado da Varig, o fundo de pensão Aerus, que tem a receber R$ 2,3 bilhões. Segundo fontes do setor, nem a possibilidade de a ex-subsidiária de logística e transporte de cargas fazer um aporte de R$ 24 milhões no Aerus sensibilizou o fundo a votar a favor da oferta da VarigLog na assembléia de credores, que será realizada na próxima segunda-feira."O aporte não representa nada. Queremos saber o que vai acontecer com a Varig antiga. O Aerus não quer a falência da Varig, mas não aceita a proposta do jeito que está", afirma uma fonte do Aerus. O fundo de pensão, procurado para se pronunciar sobre a proposta da VarigLog, informou que "o Aerus está preocupado com a Varig remanescente, como ela vai cumprir com suas obrigações".O Aerus e empresas de arrendamento de aviões (leasing) estão preocupados com a Varig antiga, que deveria continuar existindo para amortizar dívidas com credores. Pelo plano da VarigLog, essa empresa herdaria 5% das ações da Varig resultante da reestruturação e teria receita proveniente de fretamento de aeronaves e de um centro de treinamento de pilotos. Além disso, reuniria todos os ativos imobiliários da Varig. Varig antiga O questionamento dos credores é saber se a Varig antiga terá receita suficiente para cobrir o passivo que vai assumir, de R$ 7,9 bilhões. Como alternativa de capitalização, a VarigLog ofereceu ao Aerus R$ 24 milhões para recomprar a participação de 5% na própria ex-subsidiária que foi dada como garantia ao fundo de pensão em 2003. Segundo a fonte do Aerus, a VarigLog teria informado em reunião que o plano é demitir em torno de 7.500 funcionários, de um total de cerca de 10 mil.Naquela época, quando a dívida com o Aerus foi repactuada, além dessas ações,a Varig também ofereceu como garantia o dinheiro que tem direito a receber com as ações judiciais de ressarcimento por causa de perdas com o congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, em torno de R$ 4,5 bilhões.A Varig necessita de uma negociação que resulte em injeção de dinheiro novo por que a companhia corre o risco de parar sua operação no dia 9 de agosto, caso não for vendida. O alerta é de um relatório elaborado em maio pela administradora judicial da companhia, a consultoria Deloitte, que faz um acompanhamento mensal da recuperação judicial da Varig. A VarigLog fez nesta terça-feira mais um depósito, cujo valor não foi divulgado, para a Varig pagar despesas com combustível, arrendamento de aviões e taxas aeroportuárias. Na semana passada, a ex-subsidiária emprestou US$ 7 milhões. No total, são US$ 20 milhões para cobrir gastos emergenciais até a realização do novo leilão.

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