Proposta das empresas é alívio para o governo

CENÁRIO: Lu Aiko Otta

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2014 | 02h05

Confrontada com a desconfiança com que o empresariado vinha encarando as concessões em ferrovias desde o lançamento do Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto de 2012, a proposta dos pesos pesados do agronegócio é um alívio para o governo. O que eles colocaram sobre a mesa do ministro dos Transportes, César Borges, não é só um volume que supera os R$ 10 bilhões em investimentos. É um plano que vai desafogar um dos pontos mais críticos da logística brasileira no momento, o escoamento da safra agrícola no Centro-Oeste.

É essa a produção que congestiona rodovias e o Porto de Santos (SP) na época da colheita. E a proposta direciona a carga para o Norte, uma correção estratégica há muito tempo recomendada por especialistas em logística. Para isso, utiliza ferrovias e hidrovias, cujo frete é mais barato do que o rodoviário.

Para o agronegócio, essa era uma opção que teria de ser tomada em algum momento, dado o peso do custo de transporte no preço final. Logo após o lançamento do PIL, um executivo do setor confessou ao 'Estado' que sua empresa não estava interessada em construir ferrovias. Mas, se não houvesse interessados, teria de entrar no negócio. É o que está prestes a acontecer.

Dessa forma, fica reduzido o risco de outro leilão "vazio", sem pretendentes, tal como o que ocorreu na estreia das concessões rodoviárias, com a BR-262 no Espírito Santo e em Minas Gerais, em setembro.

No ano passado, Borges, a então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a própria presidente Dilma Rousseff procuraram candidatos a concessionários em ferrovias, como tradings, empresas do agronegócio, construtoras e investidores internacionais, para "vender" o programa. Além disso, o governo tem procurado acolher todas as sugestões do setor privado no campo financeiro, para garantir o maior número possível de participantes nos leilões.

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