MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Proposta de Arminio e Tafner para Previdência prevê economia de R$ 1,3 tri em 10 anos

Projeto, como adiantado pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, é apartidário e será entregue ao presidente eleito; economia prevista é superior ao do texto aprovado pelo governo Michel Temer

Vinicius Neder e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 13h01

RIO - O economista Paulo Tafner, sob coordenação do ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, apresentou nesta segunda-feira, 1, uma nova proposta para a reforma da Previdência. O evento aconteceu na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, e segundo cálculos de Tafner o projeto, se implementado, permitiria uma economia de R$ 1,3 trilhão em dez anos - superior ao previsto no texto aprovado pelo governo Michel Temer na comissão especial que tratou do tema no Congresso Nacional.  

A proposta, segundo entrevista anterior de Arminio Fraga ao 'Estado', é "independente e apartidária" e será entregue ao presidente eleito. 

Na semana passada, Arminio havia dito que o projeto permitiria uma economia de R$ 110 bilhões ao ano para os cofres públicos em dez anos. Neste segunda-feira, no entanto, Tafner explicou que o ex-presidente do BC estava com dados preliminares, pois seria possível economizar R$ 130 bilhões ao ano com o novo texto. 

Em maio, Arminio adiantara que a proposta seria formatada já em termos de projetos de lei.

Sistema funcionaria a partir de 2020

Após apresentar os pontos principais da proposta na manhã desta segunda-feira, Tafner, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), adiantou que a ideia central é desenhar um novo sistema previdenciário, híbrido, com repartição e capitalização, para os nascidos a partir de 2014. 

Esse novo sistema começaria a funcionar em 2020 e seria "povoado" apenas em 2030. Com isso, não haveria custo de transição para o novo modelo. 

"Garanto que de 2000 a 2035 não perco um real de receita", disse Tafner ao público na FGV, lembrando que isso é importante porque, nesse período, ocorrerá o "pico de gastos" com a Previdência.

Questionado após a palestra, Tafner evitou aprofundar a proposta. Disse que os estudos ainda estão sendo finalizados e detalhes serão divulgados ainda nesta semana. 

Renda mínima para idosos

Tafner disse que o conjunto inclui uma proposta de emenda constitucional (PEC) e quatro projetos de lei complementar (um para o regime geral, outro para os servidores civis, um terceiro para as Forças Armada e um quarto para policiais militares e bombeiros). 

Além do novo sistema para além de 2020, a proposta inclui renda mínima para os idosos, equivalente a 0,7 salário mínimo.

No caso da reforma do sistema atual, a ideia é usar parâmetros iniciais já negociados e aprovados no texto que passou na comissão especial que analisou o tema no Congresso Nacional, mas acelerar a adesão às novas regras, de forma "dura" e "rápida". "A transição é curta, mas palatável e justa", afirmou Tafner.

Ao público na FGV, Tafner reconheceu que "realmente não sabe" qual seria a estratégia para implantar a nova proposta, pois não sabe como os políticos reagiriam nem quem será eleito nas votações deste mês, mas defendeu a urgência do tema. 

"Ou fazemos isso ou de fato vamos ser um País velho e pobre", afirmou o pesquisador, que na palestra mostrou dados apontando que, em 2100, o Brasil será o nono na lista das nações com maior participação de idosos na população. 

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