Proposta de autonomia do BC será apresentada em 2005

O ministro da Fazenda, Antonio Palloci, revelou, em entrevista ao jornal Financial Times, que o governo vai retomar em 2005 seus planos para a autonomia do Banco Central, apesar da oposição à proposta dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Segundo o ministro, o governo pretende após as eleições municipais de outubro também dar um novo ímpeto a outras medidas, incluindo a reforma trabalhista e a reorganização das entidades sindicais."Eu estou focando nas medidas que vão preparar o Brasil institucionalmente para crescer por uma década ou mais sem interrupções", disse Palocci ao diário financeiro britânico. Segundo o FT, as reformas têm o objetivo de encorajar os investidores que já estão animados pelos sinais de que a economia está crescendo acima do esperado após o declínio do ano passado. Ele argumentou que a autonomia de fato do BC precisa ser "institucionalizada". A proposta, que será apresentada em 2005, concederá aos diretores da instituição um mandato com prazo fixo e autonomia para cumprir com metas inflacionárias determinadas pelo governo. "É claro que haverá alguma controvérsia, mas estou determinado a apresentar o projeto de lei", disse Palocci. Crescimento da economiaPalocci, em entrevista ao FT, prevê que a economia brasileira vai crescer 4% neste ano, excedendo as expectativas iniciais de 3,5%. "Na medida que a política econômica estiver mostrando resultados como está agora, as críticas vão diminuir", disse Palocci, referindo-se a ataques de aliados do governo neste ano.Questionado sobre as preocupações com os investimentos de longo prazo, Palocci disse que "haverá importantes anúncios de investimentos nos próximos meses", citando planos de expansão no setor de aço, mineração e agricultura. Segundo o ministro, o governo está negociando com empresas multinacionais de semicondutores a construção de uma fábrica no Brasil. "Os investimentos prometidos até agora são suficientes para aumentar nossa capacidade de crescimento para 5%", disse.DificuldadesO ministro, no entanto, alertou que ainda há obstáculos a serem superados. Um deles, segundo o FT, é a decisão do Supremo Tribunal Federal, que poderá alterar a reforma da previdência (votação da contribuição dos inativos, prevista para agosto).

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