Proposta de corte dos EUA não surpreende, diz especialista

Para professora, nenhum avanço em reduzir a ajuda aos agricultores do país deve acontecer antes de 2010

Jane Miklasevicius, da Agência Estado,

22 de julho de 2008 | 13h32

A proposta apresentada nesta terça-feira, 22, pelos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), de limitar os subsídios agrícolas anuais em US$ 15 bilhões, já era esperada e nenhum avanço em reduzir a ajuda aos agricultores do país deve acontecer antes de 2010. A avaliação é da professora de Relações Internacionais da Unesp, Cristina Pecequilo, especialista em política americana.  Veja também:Rodada Doha: entenda o que está em jogo em GenebraEUA oferecem cortar subsídio agrícola para US$ 15 bilhõesPrimeiro dia de negociação na OMC foi inútil, diz AmorimBrasil classifica oferta da UE de reduzir tarifa de 'propaganda'UE propõe ampliar corte de tarifa agrícola para 60%Críticas de Amorim podem prejudicar negociações  Segundo ela, a posição do governo americano nas negociações é bastante clara há alguns anos, sempre na direção de deslegitimar as reivindicações dos países emergentes. "É uma guerra velada que se intensificou na reunião de Cancún, no México, por conta da criação do G-20", diz ela.  De acordo com a professora, a declaração do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acusou os países ricos de usarem técnicas de desinformação dos nazistas nas negociações, "foram tiradas do contexto" e não deveriam ter sido exploradas pelos negociadores. "Mas faz parte do jogo", diz. Segundo a especialista, em favor dos benefícios internos dos países, a tática de travar o comércio internacional deve continuar tanto por parte dos Estados Unidos como da União Européia. "A diplomacia dos países emergentes já está cansada", diz ela. Cristina Pecequilo acredita que a Rodada Doha será interrompida este ano sem qualquer acordo. "Podemos esperar apenas algumas declarações de intenção mais fortes no encerramento", diz. Na sua avaliação, por causa das eleições americanas, o "horizonte de 2010 a 2012" é o mais viável para a retomada das negociações agrícolas na OMC.  Mas ela ressalta que, independente de quem será o vencedor - o democrata Barack Obama ou o republicano John MaCain - qualquer nova posição americana dependerá de uma mudança de mentalidade da sociedade. "Como nação hegemônica, o país teria de fazer uma reflexão sobre o alto custo dessa ajuda interna. E o Executivo assumir a liderança forte em favor da liberação comercial." Isso não deve acontecer nos primeiros anos de governo, já que questões internas, como a ocupação do Iraque, devem prevalecer, diz ela. Para reduzir a ajuda à agricultura, será preciso enfrentar lobbies internos e a resistência dos dois partidos em desagradar seus eleitores.

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