Robson Fernandjes/AE-1/9/2008
Robson Fernandjes/AE-1/9/2008

Proposta de fusão reduz participação de Casino

Rede francesa detém hoje 36,9% do Pão de Açúcar; na nova empresa, com participação do rival Carrefour, a fatia do grupo francês cairia para 29,8%

Márcia De Chiara e Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

A proposta de união entre Pão de Açúcar e a operação brasileira do Carrefour, com a entrada do BNDESPAR e do BTG Pactual, reduz significativamente a participação do Grupo Casino na nova empresa, batizada da NPA (Novo Pão de Açúcar). O Casino detém hoje 36,9% do Pão de Açúcar, com a possibilidade de exercer o controle da companhia em 2012. Na nova empresa, a sua fatia cai para 29,8%, com redução de 7,1 pontos porcentuais.

Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, tem atualmente 21,4% do Grupo. Na nova empresa terá participação de 16,9%. Pelo desenho da proposta, o restante da companhia estará dividida entre o BNDESPAR, com 18%, a maior fatia depois do Casino, e o BTG Pactual, com 3,2%. Os demais acionistas pulverizados no mercado devem ficar com 32,1%, ante os atuais 41,6%.

"Se os sócios do Grupo Pão de Açúcar e do Carrefour não aprovarem a proposta, nada será feito", frisou o sócio do BTG Pactual, Carlos Fonseca. Ele lembrou que o prazo para que os acionistas batam ou não martelo da transação é de 60 dias, contados a partir de ontem.

Concentração. Se a fusão tiver sinal verde dos acionistas, a empresa de Abilio Diniz passará a deter 27% do varejo brasileiro, incluindo eletrodomésticos, e 30% do segmento de supermercados.

Cláudio Galeazzi, sócio do BTG Pactual, disse que não haverá grande concentração de mercado com o negócio, exceto nos grandes centros, como São Paulo e Rio. Ele admitiu que, nessas capitais pode haver sobreposição de lojas e necessidade de fechamento de algumas. "Fizemos estudos sobre o tema e estamos bastante confiantes em relação à dinâmica da concentração",afirmou Galeazzi.

A nova empresa seria a maior varejista do País, com faturamento de R$ 65 bilhões - valor que é quase três vezes superior à receita da rede americana Walmart, hoje a terceira no ranking dos supermercados, com R$ 22,3 bilhões em vendas. A sinergia advinda do negócio seria de 560 milhões ou R$ 1,2 bilhão. Estudo de mercado apontam algo entre R$1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão.

"Ainda não dá para saber se o saldo para o consumidor será positivo ou negativo", disse o presidente do Conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar / Ibevar), Cláudio Felisoni. "Se não houver interferência do Cade, algumas regiões com certeza terão grande concentração, o que vai prejudicar o consumidor final."

Persio Souza, sócio da Estater, empresa responsável pela engenharia financeira da proposta, contou que o projeto ganhou força quando a Blue Capital, sócia do Grupo Carrefour na França, após conversas com Diniz, considerou que a união entre as duas empresas faria sentido.

De acordo com o projeto, a operação do Carrefour no Brasil terá 50% de participação do Grupo Carrefour Francês e 50% de participação da NPA. Todos os acionistas do Pão de Açúcar, inclusive, as Casas Bahia, migrarão para a nova empresa mantendo a seguinte relação na conversão de de ações: cada ação preferencial equivale a 0,95 da ordinária.

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