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Proposta de Lula é manter política atual de câmbio flutuante, diz Barbosa

O presidente Lula, caso seja reeleito, deverá manter a atual política de câmbio flutuante. A afirmação é do economista Nelson Barbosa, secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda e um dos coordenadores do programa econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A questão da valorização (do real) vai se resolver gradualmente com crescimento econômico e redução das taxas de juros", explicou em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. O co-formulador do programa econômico do PSDB, Yoshiaki Nakano, defendeu na terça-feira o controle de capitais e juros no nível do mercado internacional. A proposta foi criticada por economistas e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e desautorizada pelo candidato Geraldo Alckmin. Barbosa evitou comentar especificamente a proposta de Nakano e disse que o governo se limitará a continuar a fazer operações cambiais como as que são feitas hoje para gestão da dívida pública e das reservas internacionais. "A política de câmbio não significa que o compromisso com uma taxa de câmbio específica. O que guia as compras é a manutenção da baixa vulnerabilidade externa da economia. É possível continuar acumulando reservas e manter o câmbio flutuante. O estoque de reservas tem que estar em nível segura para que a economia não sofra. (...) É a mesma política, mas as condições são diferentes", avaliou.Barbosa explicou que o cenário dos últimos quatro anos é bem diferente daquele que se espera para os próximos quatro anos. Ele ressaltou que no primeiro mandato, Lula teve que se preocupar em reduzir a inflação de forma rápida e por isso os juros foram mantidos em patamares elevados. "Agora a taxa de juros vêm caindo e diminui a pressão financeira pela valorização do real", disse. Para o economista, uma maior redução de juros possibilitará a melhora do gasto público e levará a um crescimento mais acelerado e sustentado da economia. "Sem grandes cortes e sem medidas drásticas", observou. Barbosa frisou que a política monetária, a exemplo da cambial, não deve ser alterada. "A política monetária continua sendo o sistema de metas de inflação", afirmou. Segundo ele, o fato novo para 2007 é que pela primeira vez a inflação começará o ano abaixo da meta. O economista negou que uma nova rodada de abertura comercial esteja no programa de governo. "O aumento das importações em si não é objetivo da política econômica. Ele é decorrente de maior investimento, do aumento de produtividade. Faz parte da estratégia de crescimento, mas como decorrente do maior crescimento da economia", analisou Barbosa.Choque fiscalBarbosa afirmou que não será necessário choque fiscal no próximo governo, ao contrário do que defendem alguns analistas. "Não é necessário justamente porque um maior crescimento da economia permite uma postura mais gradualista sobre esse tema. Na medida em que o PIB cresce mais, você pode reduzir o peso do gasto no PIB de forma gradual", afirmouEle também negou que tenha havido irresponsabilidade fiscal do atual governo com despesas permanentes. "Quanto à acusação de irresponsabilidade fiscal é preciso ficar claro que os gastos correntes que aumentaram foram basicamente os gastos da Previdência e os gastos com Assistência Social. Se você tirar esses gastos do cálculo da despesa primária você vai ver que as demais despesas primárias estão estáveis em relação ao PIB", justificou. O economista disse ainda que houve aumento de gasto com pessoal este ano para 5,1% do PIB. "E isso ainda é inferior ao final do governo anterior, que foi algo em torno de 5,3%", comparou.Barbosa disse ainda que num segundo mandato o governo Lula deverá reduzir mais a relação dívida/PIB para perto de 42%, 43% ao longo dos próximos quatro anos. Atualmente essa relação está em torno de 50,5%. Reforma tributáriaO economista disse que a prioridade de um eventual segundo mandato de Lula será fazer a reforma tributária. "Ela será feita no ano que vem", garantiu. Ao que parece, no entanto, será a única reforma nos planos de um segundo governo de Lula - a da Previdência e a Trabalhista terão que esperar. "Não há proposta de reforma da Previdência. Nós achamos que as regras atuais já estão consistentes e o maior crescimento da economia já levam naturalmente á estabilização do gasto em relação ao PIB a médio prazo", disse. E sobre a reforma Trabalhista: "Ela pode ser discutida, mas não há posição definida ainda". Barbosa disse também que o governo Lula não pretende abrir mão da CPMF. "De imediato não. Provavelmente haverá uma prorrogação da CPMF e a eventual redução da alíquota da CPMF ao longo de um período mais amplo, pode ser tratada dentro de uma discussão mais geral de reforma tributária", explicou.O economista disse ainda ser incorreto projetar gasto maior para os próximos anos, como têm feito alguns analistas. "O gasto corrente em relação ao PIB será reduzido. Até porque é necessário abrir espaço para o aumento do investimento público. E nesse ponto, essa redução se dará mais em cima dos gastos com custeio da máquina e com pessoal em cargos", disse. Os investimentos públicos, segundo ele, deverão atender os setores de energia e de transporte.Barbosa acrescentou que o governo pretende continuar com a desoneração seletiva de impostos. "O que há é a intenção de continuar a política de desoneração seletiva para estimular o crescimento, além de melhorar e estrutura tributária vigente", afirmou.Colaborou Fábio GranerMatéria alterada às 16h54 para acréscimo de informações

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