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Proposta de Orçamento para 2007 dá sinal negativo

O economista da Tendências Consultoria, Guilherme Loureiro, avaliou nesta quarta-feira como uma sinalização negativa a decisão do governo de encaminhar ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento da União de 2007 com expectativas de receitas já superestimadas. Segundo ele, essa situação vai exigir um contingenciamento em tamanho muito maior no início do ano, já que o Congresso tradicionalmente também infla as previsões de receitas quando aprova a lei orçamentária."O sinal não é positivo. O ideal seria uma proposta mais realista", disse ele. Do ponto de vista prático, no entanto, o economista não vê riscos para o cumprimento da meta com as receitas superestimadas."Como o custo de não cumprimento da meta seria muito grande, o ajuste será feito no contingenciamento de gastos e no controle de boca de caixa", disse. Ele lembra que no primeiro decreto de programação orçamentária o governo contingencia e reordena os gastos com receitas mais conservadoras. "O preocupante seria se os gastos ao longo do ano aumentasse de acordo com as receitas superestimadas", ressaltou.Para Loureiro, dessa forma a peça orçamentária cada vez mais perde importância como balizadora de expectativas. "O Orçamento não quer dizer nada", disse ele. O economista da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, concorda com Loureiro. Para ele, o fato de o governo ter inflado a previsão de receitas em R$ 10,2 bilhões para o Orçamento 2007 é um sintoma de que a situação fiscal brasileira é uma bomba-relógio que, se nada for feito, vai estourar nos próximos anos. "A situação é complicada e só vai ser resolvida com um ajuste fiscal de fato", afirmou Vale.Segundo ele, a elevação artificial da previsão de receitas é uma "artimanha" do governo para lidar com o cenário de aumento forte de gastos no ano que vem. Vale avalia que não é bom que a política fiscal se apóie em receitas que não se sabe se vão se concretizar. "O governo não pode ficar dependendo da fiscalização, cujo resultado é incerto", afirmou, explicando que, em um cenário que o crescimento econômico não será grande coisa e não haverá espaço para elevação de alíquotas de impostos, o governo deve ajustar suas contas cortando mais uma vez os investimentos públicos. "Para o investidor privado, esse é um sinal ruim", acrescentou.O economista considera que a precariedade da situação fiscal vai impactar negativamente o fluxo de investimento estrangeiro direto para o Brasil. "O investidor está começando a ficar preocupado com a situação fiscal. O problema é que a situação econômica do Brasil está pela metade. Ao mesmo tempo que a inflação baixa e a situação das contas externas são fatores positivos, por outro lado o crescimento baixo e a situação fiscal são sinais negativos", afirmou o economista.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 13h10

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