Proposta do BCE emprestar para o FMI começa a ganhar força

Segundos fontes, a Alemanha e o BCE ainda são contra a ideia, mas conversas podem começar em breve diante da falta de alternativas viáveis 

Álvaro Campos, da Agência Estado,

18 de novembro de 2011 | 11h27

LONDRES - A proposta do Banco Central Europeu (BCE) emprestar dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI), para que este possa financiar pacotes de resgate para países problemáticos da zona do euro, está ganhando força, segundo duas pessoas com conhecimento direto do assunto. Se todas as partes chegarem a um consenso, um acordo pode ser anunciado na reunião de cúpula da União Europeia em 9 de dezembro.

"A Alemanha e o BCE ainda são contra a ideia, mas sem alternativas viáveis, as conversas podem começar em breve. Isso é urgente, porque é necessário que algo esteja a disposição se a Itália precisar de um pacote de socorro", disse uma alta autoridade de um governo da zona do euro.

Uma autoridade do FMI disse que a única outra proposta em discussão é que o BCE financie a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), mas a Alemanha já deixou claro que isso não vai acontecer. "Essa é a proposta da França para transformar a EFSF em um banco, para que ela possa emprestar para países problemáticos. Mas essa proposta não vai dar em nada".

A ideia do BCE emprestar para o FMI surgiu pela primeira vez na reunião do G-20 em Cannes, no início deste mês, quando o acordo da cúpula da UE para alavancar a EFSF para cerca de 1 trilhão de euros começou a enfrentar dificuldades. Nos atuais pacotes de resgate para países da zona do euro, o FMI contribui com quase um terço do total, dependendo do cronograma, com o resto vindo da UE e do BCE.

No futuro próximo, os pacotes de resgate na zona do euro terão de ser financiados pela EFSF, que atualmente tem uma capacidade de empréstimo de 440 bilhões de euros. Mas com cerca de 250 bilhões de euros destinados para os programas de Grécia, Irlanda e Portugal, o fundo não teria poder de fogo suficiente para ajudar a Itália, caso seja necessário.

"Os governos da zona do euro não estão dispostos a aumentar suas garantias para a EFSF e a busca por potenciais investidores na Ásia para garantir a alavancagem para 1 trilhão de euros não deu em nada. Acrescente a isso o fato de que se a Itália precisar de ajuda, sua contribuição para a EFSF será retirada, e nós teremos um verdadeiro problema. Simplesmente não há dinheiro suficiente para salvar outro país", explicou a autoridade europeia ouvida pela Dow Jones.

As fontes não comentaram se o FMI se tornaria o principal emprestador em futuros pacotes de resgate caso o BCE realmente empreste para o Fundo, ou qual o papel que a EFSF terá. "Tudo isso pode ser resolvido rapidamente se nós chegarmos a um acordo sobre o BCE emprestar para o FMI", disse a autoridade europeia.

A legislação da UE não permite que o BCE financie diretamente governos da zona do euro. Entretanto, o artigo 23 do tratado estabelece que o banco central poder realizar "transações bancárias em relações com países terceiros e organizações internacionais, incluindo operações para tomar e fornecer empréstimos". "Esse artigo é nossa janela de oportunidade", afirmou a autoridade do FMI. As informações são da Dow Jones. 

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