Proposta dos EUA para Alca tem "armadilhas", diz professor

O professor de PolíticaComercial da USP e ex-consultor de comércio internacional doBanco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Marcos Jank, alertou para as"armadilhas" da proposta preliminar dos Estados Unidos para aÁrea de Livre Comércio das Américas (Alca). O sinal de alerta,segundo Jank, vem do trecho que determina "mais de umcronograma de eliminação tarifária por produto", estabelecendoque 85% das importações do Caribe receberiam isenção imediata,64% dos produtos da América Central, 68% dos países andinos eapenas 50% dos bens exportados pelo Mercosul. "Eles estão propondo diferentes velocidades para aAlca. Os países que oferecem perigo, como o Brasil, teriamacesso adiado", disse Jank.Segundo o professor, a tática americana pode levar o Brasil aoisolamento. Trata-se de uma estratégia semelhante à propostaeuropéia na Organização Mundial do Comércio (OMC), que divide ospaíses emergentes em duas categorias e propõe livre acesso aospaíses mais pobres, desagregando a negociação. "São os países mais ricos se aliando aos mais pobres naluta contra os países mais competitivos", afirmou. "Naprática, com as velocidades diferentes, todo mundo poderá venderaçúcar para os EUA, menos o Mercosul." De acordo com ele, as exportações agrícolas brasileiras que são as mais atingidas por medidas protecionistas americanas não seriam necessariamente beneficiadas pela oferta dos EUA,que querem isentar de tarifas 56% das importações do hemisférioimediatamente após a instalação da Alca. O professor explicou que atualmente 84% das importaçõesagrícolas já têm tarifas baixas, entre zero e 15%. "O grandeproblema são os 7% das importações que têm picos tarifários,isto é, tarifas altíssimas que afetam os principais produtos dapauta brasileira, como o açúcar", disse. "Esses 7% podem muitobem estar entre os produtos que levarão dez anos ou mais paraterem redução de tarifas." O grande interesse do Brasil, portanto, não foi abordadopelo pelo representante americano para o Comércio, RobertZoellick. "Tenho absoluta certeza de que suco de laranja,álcool, açúcar e carnes estarão entre os produtos que levarãomais de dez anos para redução das tarifas", afirmou. Por outro lado a proposta americana para a área de serviços, incluindo osfinanceiros, é bastante agressiva, até porque os EUA esperamcontrapartida e têm muito interesse em liberalizar esse setor naAmérica Latina.

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