Proposta dos EUA para Doha é considerada insuficiente

Os Estados Unidos tentaram darprosseguimento aos esforços para salvar um acordo sobre ocomércio mundial oferecendo, na terça-feira, diminuir o tetodos seus polêmicos subsídios agrícolas, mas os principaispaíses em desenvolvimento consideraram a medida insuficiente. A representante de comércio do governo norte-americano,Susan Schwab, anunciou que seu país está pronto para limitar ossubsídios a um total de 15 bilhões de dólares ao ano desde quepaíses como o Brasil e a Índia também façam concessões parasalvar as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Essa é uma importante medida, feita de boa fé naexpectativa de que outros agirão de forma semelhante e seapresentarão para melhorar as ofertas sobre o acesso aosmercados", afirmou Schwab a repórteres. A manobra vinda da parte dos norte-americanos, aguardadahavia muito tempo, surgiu em meio a uma semana de esforçosfeitos por ministros do Comércio para garantir um acordo sobreos produtos agrícolas e manufaturados -- as questões centraisda atual rodada de negociações de Doha, iniciada pela OMC seteanos atrás. Os países em desenvolvimento reclamam há muito tempo dovolume enorme de subsídios pagos pelos EUA, o que expulsariaseus agricultores do mercado, diminuindo a oferta de alimentose contribuindo para a recente disparada dos preços globais. No entanto, os preços altos fizeram com que o governonorte-americano diminuísse os gastos com programas agrícolascriados para incentivar a produção -- e que distorcem ocomércio -- para cerca de 7 bilhões de dólares no ano passado,bem abaixo dos 48,2 bilhões de dólares permitidos atualmentepelas regras da OMC. Schwab disse que a oferta desta terça-feira demandaria doCongresso norte-americano que reforme as leis do setoragrícola. O presidente dos EUA, George W. Bush, vetou em 2008uma lei que aumentava os subsídios, mas acabou vendo sua medidaderrubada pelos congressistas. Tom Harkin, chefe do Comitê Agrícola do Senado dos EUA,recebeu bem a manobra feita pelo governo norte-americano,afirmando em um comunicado que isso demostra a disposição dosEUA para negociar com boa fé e completar a rodada. Harkinressaltou, porém, que outros países deveriam agora fazerconcessões também. Destacando o valor da nova oferta, Schwab disse que ossubsídios pagos pelos EUA haviam sido de 18,9 bilhões dedólares em 2005 e de quase 25 bilhões de dólares em 1999 e em2000, isso antes da disparada do preço dos alimentos. A manobra, no entanto, não impressionou todas as nações depeso que participam da Rodada de Doha -- países fundamentaispara garantir que um acordo seja selado nesta semana, evitandoque as negociações sejam suspensas, provavelmente por algunsanos. "Minha resposta imediata é de que isso não passa pelo'teste da risada"', afirmou uma importante autoridade indiana àReuters. O Brasil defendeu a realização de cortes maiores. "Este éapenas o segundo dia de conversas. Imaginamos então que háespaço de manobra para reduções mais profundas", disse umdiplomata brasileiro. O Brasil e a Índia são peças-chave para o processo porqueos EUA e a União Européia exigem que as grandes economias emdesenvolvimento abram seus mercados para produtos manufaturadose agrícolas em troca de reformarem seu setor agropecuário. A UE disse que a oferta norte-americana é razoável, mas quepoderia ser melhorada caso as negociações desta semana avancem. (Reportagem adicional de Jonathan Lynn e Laura MacInnis)

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