Proposta industrial do Ipea prioriza setores dinâmicos

A proposta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, do Ministério do Planejamento) prevê a capacitação de produtos brasileiros para disputar posições no mercado internacional. A integração entre uma política industrial e uma política de inovação tecnológica é a chave para atingir esse objetivo final, disse hoje o presidente da entidade, professor Glauco Arbix. Segundo ele, o Ipea defende cuidados especiais para os setores de microeletrônica, fármacos, software e bens de capital. Ele não descarta a utilização de subsídios e créditos subsidiados para desenvolver os setores de maior potencial futuro.Arbix explicou que a proposta do Ipea tem uma forma piramidal, cuja base é o estímulo do crescimento econômico, as duas faixas centrais dão ênfase à diminuição das restrições externas e incentivo a inovação, e no topo está a meta de conquistar um padrão de competitividade internacional para o produto brasileiro. O professor admitiu que os resultados da proposta aparecerão no longo prazo. Divergências no governoArbix admitiu que uma das grandes dificuldades de se implantar uma política industrial no Brasil de hoje é o fato de que ninguém sabe ao certo quem é o centro decisório. Há ministérios com posições diferentes e ministros com visões díspares dentro da própria cúpula de governo. "É extremamente difícil uniformizarmos o governo sobre essas questões", ressaltou.Ainda assim, o governo tem procurado recusar as políticas fragmentadas dos anos 90, bem como as medidas desenvolvimentistas dos anos 50, 60 e 70. O presidente do Ipea admitiu, ainda, que o governo se recente de pessoal capacitado para pensar uma política industrial para o País, até porque na década passada perdeu-se o hábito de considerá-la uma necessidade para o Brasil.Redução do IPIArbix avalia que a medida de redução de 3 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não faz parte das discussões do grupo governamental que está definindo uma política industrial para o País. Segundo ele, trata-se apenas de uma decisão emergencial, de fôlego curto, que pode ajudar a esvaziar os pátios das montadoras e a manutenção do emprego.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2003 | 16h13

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