Proposta para mexer na poupança é resgatada

Discussões para mudar a remuneração por causa da queda da Selic estão ocorrendo, mas momento de fazê-la não foi definido

FABRÍCIO DE CASTRO, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h04

A equipe econômica resgatou a discussão sobre mudanças na remuneração da poupança em resposta ao movimento de queda da taxa básica de juros, a Selic. Fonte próxima ao grupo que analisa a questão dentro do governo diz que há algumas alternativas para mudar a poupança, mas ressalta que o momento para isso ainda é incerto.

"Se há um sinal de que, com a Selic a 8,5%, teria que mexer na poupança, então o momento seria agora. Mas o governo ainda não tem definido se será agora", diz a fonte, afirmando que a questão está sendo monitorada diariamente e, no momento certo, ocorrerá a intervenção.

A definição desse momento depende de alguns fatores. É preciso fechar antes a equação em que uma menor remuneração para os depósitos da poupança preserve o equilíbrio entre os diversos tipos de aplicação, considerando inclusive a tributação.

O governo quer preservar os pequenos investidores que estão na poupança, mas não têm intenção de criar problemas para a indústria de fundos de investimento. "A questão está mapeada e o governo enfrentará essa discussão se quiser manter o ritmo de desaceleração da taxa de juros", disse um outro técnico do governo.

Parte dos técnicos ligados às discussões defendem a proposta chamada de "escadinha", em que a remuneração fixa da poupança, hoje de 6,17% ao ano, seria substituída por um rendimento vinculado à Selic, que cairia na medida em que a taxa básica fosse reduzida.

Esta dinâmica abriria espaço para que a Selic continue seu ciclo de baixa em 2012 e atinja patamares inferiores ao 9% fixado na reunião desta semana do Copom."A escadinha de juros da poupança frente às variações da Selic é uma das possíveis alternativas e, inclusive, era uma das opções desde 2008", afirmou a fonte próxima ao grupo que analisa a questão dentro do governo, em referência às discussões travadas no fim de 2008 e no início de 2009."É a alternativa que defendemos agora, mas não será, necessariamente, a escolhida."

Agora, com a Selic a 9% ao ano, a possibilidade de adoção da "escadinha" volta à mesa.

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