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Proposta tem riscos políticos e financeiros

O presidente Barack Obama sacou sua arma mais potente - o enxuto orçamento federal - para tentar pôr em prática suas promessas de mudanças, incluindo o fim da guerra do Iraque, ampliação da assistência à saúde pública e a luta contra o aquecimento global. Porém, ao propor um gasto de US$ 3,55 trilhões no próximo ano, a manobra se mostra cheia de riscos políticos e financeiros que devem ser ponderados pelo Congresso que debate nas próximas semanas sua versão do orçamento. Não é esperado que a proposta atraia o apoio da oposição republicana, uma vez que inclui mais gastos domésticos e amplia impostos para os ricos. E alguns democratas que controlam a Câmara e o Senado devem passar por tempos difíceis engolindo novos cortes em despesas voltadas a alguns dos mais sagrados e sensíveis programas, como o da agricultura.O plano fiscal prevê déficits orçamentários - e empréstimos do governo - que devem ser mantidos ao longo do mandato de Obama. Para especialistas, essa é uma perspectiva aterradora já que Washington carrega uma dívida de US$ 10,8 trilhões. "Estamos colocando em risco a nossa moeda e nossa capacidade de vender dívida", disse o líder republicano do comitê orçamentário do Senado, Judd Gregg. Com um déficit estimado de US$ 1,75 trilhão neste ano, cerca de 12,3% do Produto Interno Bruto (PIB), o orçamento deixaria um déficit de cerca de 3% do PIB em 2013. Democratas alegam que cerca de US $ 1,2 trilhão foi herdado de Bush e o restante vem das medidas de estímulo à economia. "Obama herdou uma trapalhada colossal", disse o presidente do comitê orçamentário do Senado, Kent Conrad. O maior problema de longo prazo é o que muitos enxergam como um "tsunami fiscal" que virá na próxima década, quando os custos da reforma da Seguridade Social e da saúde pública se tornarão uma espiral fora de controle à medida que a população envelhece.

Richard Cowan, WASHINGTON, Reuters, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

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