Prorrogação de prazos para Grécia custaria de € 13 bi a € 15 bi, diz ministro

Estimativa é menor do que a anterior levantada por funcionários do governo grego, de 20 bilhões de euros 

Renato Martins, da Agência Estado,

25 de setembro de 2012 | 15h28

ATENAS - O ministro das Finanças da Grécia, Yannis Stournaras, disse à Dow Jones que seu país vai requerer de 13 bilhões de euros a 15 bilhões de euros adicionais para financiar uma prorrogação de dois anos para o cumprimento das metas de déficit orçamentário. Isso é menos do que a estimativa anterior levantada por funcionários do governo grego, de 20 bilhões de euros. "Essa é a lacuna de financiamento resultante da prorrogação", afirmou Stournaras. 

Na reunião de cúpula da União Europeia, em outubro, a Grécia espera obter aprovação para mudar os termos do último acordo de socorro financeiro de 173 bilhões de euros concedido ao país pela UE e pelo FMI. O país espera que uma prorrogação dos prazos para o cumprimento das metas orçamentárias reduza os problemas causados pelo programa de ajuste.

O governo grego diz que a prorrogação dos prazos não vai custar mais dinheiro a seus parceiros europeus e poderá ser financiada por meios alternativos, tais como aumentar o crédito de curto prazo obtido no mercado, adiar os prazos de pagamentos de empréstimos concedidos por credores oficiais e recorrer à linha de crédito que o FMI já reservou para o país.

Troica

A chance de a Grécia conseguir a prorrogação depende, em parte do relatório dos inspetores internacionais da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE), a chamada troica, que estão avaliando o progresso do país na implementação de reformas e dos cortes de gastos que Atenas deverá adotar ao longo dos próximos dois anos.

As conversações entre a Grécia e a troica sobre cerca de 12 bilhões de euros em cortes de gastos progrediram nas últimas semanas, mas não há um acordo definitivo e ainda há uma lacuna de cerca de 2 bilhões de euros a ser coberta. Dos itens sobre os quais já existe acordo, cerca de 6,5 bilhões de euros virão de cortes de salários e pensões e 1,1 bilhão de euros da elevação da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para 67; outro 1,9 bilhão de euros virá de cortes de gastos nas áreas de saúde, defesa e operações dos governos locais.

O relatório dos inspetores da troica também vai determinar se a Grécia vai receber a próxima tranche de 31 bilhões de euros em ajuda - a maior parte dos quais será usada para recapitalizar os bancos do país.

Funcionários do governo grego sugeriram que a decisão recente da UE, de permitir que os países da zona do euro repassem os custos de capitalizar os bancos locais para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), a ser lançado em breve, também poderão beneficiar seu país. Essa decisão foi tomada para ajudar a Espanha, que havia pedido até 100 bilhões de euros para ajudar bancos em dificuldades, de modo a não fazer crescer a dívida do governo.

No caso da Grécia, isso significaria reduzir a dívida do país em até 50 bilhões de euros, que atualmente estão reservados para os bancos gregos.

Também nesta terça, o vice-ministro das Finanças, Christos Staikouras, disse que a Grécia também poderá pedir aos bancos centrais dos países da zona do euro que rolem dezenas de bilhões de euros de dívida soberana grega em bônus que eles detêm, para cobrir lacunas futuras de financiamento, se e quando elas aparecerem; a alternativa seria levantar mais dinheiro dos mercados.

Respondendo a perguntas de um membro do Parlamento, Staikouras afirmou que essas lacunas de financiamento poderão aparecer se a Grécia não conseguir cumprir as metas de redução de déficit orçamentário ou se a receita com privatizações ficar abaixo do previsto. Ele também disse que a Grécia poderá ter de tomar no mercado mais do que os 10,6 bilhões de euros que o governo e seus credores internacionais preveem para 2015 e 2016. As informações são da Dow Jones.

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