Protagonismo do Brasil em biocombustíveis incomoda, diz Lula

'Quando o Brasil apresenta ao mundo como artista principal as pessoas começam a ficar incomodadas'

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2008 | 16h50

Em mais uma reação contra as críticas à prioridade do governo brasileiro à produção de biocombustíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 23, ver nelas uma "leviandade contra o Brasil" dos críticos internacionais. Para ele, há incômodo diante do protagonismo do Brasil na cultura e produção de biocombustíveis. "Quando o Brasil começa a se apresentar ao mundo, não como coadjuvante, mas como artista principal, as pessoas começam a ficar incomodadas, até com leviandades contra o Brasil", discursou, na cerimônia de comemoração dos 35 anos da Embrapa, no Palácio do Planalto. Veja também:Entenda os fatores da crise dos alimentos  Lula afirmou que a associação entre falta de alimentos e produção de biocombustível "é mais uma novidade" na série de críticas que organismos internacionais e governos de países ricos fazem ao Brasil. "Em reuniões de organismos internacionais, o Brasil é acusado desde desmatamento até trabalho escravo, mau pagamento de salários e, agora em mais uma novidade, da falta de alimentos por conta dos biocombustíveis", assinalou. Ele reconheceu que a inflação causada pelo aumento dos preços dos alimentos é preocupante, mas lembrou que ela acontece "do Chile à China, passando pelo Brasil". O presidente reclamou que os críticos dos bicombustíveis não se queixam, por exemplo, do aumento do petróleo. "Dizem que somos o patinho feio. As pessoas que criticam os biocombustíveis nunca fizeram crítica ao preço do petróleo, que passou de US$ 30 para US$ 120 o barril. Não falaram o quanto isto implica em aumento dos alimentos, de aumento do preço dos fertilizantes", cobrou o presidente. Criticou os subsídios dos países desenvolvidos à produção agrícola que barram a entrada da produção agrícola de países em desenvolvimento. "O Brasil tem que ter voz mais ativa e mais forte no mundo globalizado. Daqui a pouco vão criar a idéia de que zebu não é gado, que a cana-de-açúcar da Amazônia não é boa, que o suco de laranja e o café do Brasil não são de qualidade", ironizou.

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