Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Proteção contra alta da gasolina completa um mês com menos reajustes e volatilidade

Desde quando 'hedge' foi anunciado pela Petrobrás, houve quatro reajustes, com volatilidade de 1,8%; no mês anterior à medida, foram 16 alterações, com volatilidade de 10%

Reuters

05 Outubro 2018 | 14h18

O mecanismo de hedge adotado pela Petrobrás para os preços da gasolina completa um mês no sábado, com a volatilidade nas refinarias recuando sensivelmente, enquanto analistas já defendem algo semelhante para o diesel, uma vez que a subvenção oferecida pelo governo expira no fim do ano.

De 6 de setembro, quando a opção pelo hedge foi anunciada, até agora, a volatilidade das cotações do combustível nas refinarias foi de 1,8%, com apenas quatro reajustes realizados.

Em setembro, a empresa decidiu recorrer a instrumentos financeiros de proteção – a compra de derivativos de gasolina na Bolsa de Nova York e o hedge cambial no Brasil. Com os derivativos, se previne das oscilações de preços do combustível enquanto mantém os seus preços inalterados. Assim, ainda que perca dinheiro por alguns dias por não reajustar a gasolina enquanto a commodity sobe no mercado externo, ganha com os derivativos na mesma proporção. No final das contas, o saldo entre perdas e ganhos é nulo, e o cliente é beneficiado por não ter que lidar com as variações diárias do preço.

A título de comparação, no mês imediatamente anterior ao anúncio da medida, a oscilação de preço em relação a um ponto médio beirou 10% em meio a 16 alterações nos valores do derivado de petróleo. Considerando-se todo o período anterior à aplicação do mecanismo, a volatilidade foi superior a 20% desde julho do ano passado, conforme cálculos da Reuters a partir de dados informados pela Petrobrás.

A estatal anunciou em meados de 2017 uma política de reajustes diários nos valores de diesel e gasolina nas refinarias, mas a sistemática passou a ser contestada quando os preços atingiram recordes neste ano em razão do fortalecimento das referências internacionais do petróleo e, mais recentemente, do dólar.

Diante de protestos e críticas, a Petrobrás primeiro recorreu à subvenção oferecida pelo governo para segurar os preços do diesel e, depois, ela criou o mecanismo de hedge para a gasolina, o que permite que as cotações do produto fiquem congeladas nas refinarias por até 15 dias, em tese sem incorrer em perdas por oscilações de mercado.

Na ocasião, executivos da Petrobrás ressaltaram que a opção pelo hedge, calcada em contratos futuros do combustível nos EUA, não implica em qualquer alteração na política de preços da empresa.

Procurada para comentar o assunto e fazer um balanço acerca do primeiro mês de funcionamento do hedge para a gasolina, a Petrobrás não respondeu.

Atualmente, o preço da gasolina praticado pela companhia nas refinarias está em R$ 2,2159 por litro, o que representa leve aumento de 0,41% desde 6 de setembro, apesar das fortes oscilações vistas no câmbio e no mercado de petróleo no período.

Desde julho do ano passado, contudo, a gasolina tem alta de 60% nas refinarias.

Analistas elogiam medida

Analistas ouvidos pela Reuters disseram que o hedge adotado pela Petrobrás foi algo positivo ao dar previsibilidade ao mercado, e já defendem que mecanismo similar seja usado para o diesel, uma vez que a subvenção oferecida pelo governo só será válida até 31 de dezembro.

“Na nossa visão, o hedge é apenas uma forma de suavizar o impacto diário. A questão do repasse foi preservada. Ainda que você tenha uma ‘pseudo-estabilidade’, o repasse acaba sendo feito”, destacou o sócio-diretor da Raion Consultoria Empresarial, Eduardo Oliveira de Melo.

“Não vejo o hedge como uma proteção contra a alta (da gasolina), vejo como um controle da volatilidade”, disse ele, especializado em combustíveis.

Na mesma linha, o diretor da consultoria Valêncio, que também presta serviços ao setor, Bruno Valêncio, afirmou que o novo mecanismo da Petrobrás engloba o lado empresarial e o social”.

“Para a Petrobrás, tem segurança acerca de rentabilidade de custo, mesmo que tenha muita volatilidade (no mercado). E os consumidores, os postos, têm maior previsibilidade. Isso deveria ter sido feito desde o início da política... Não tira a governança da Petrobras e dá grande previsibilidade”, defendeu.

Para ele, “do jeito que está é o ideal”, mas o mesmo terá de ser feito com o diesel.

“Vai ter de ser implementada para o diesel, o próximo governo que assumir não vai ter como manter esse subsídio. Essa questão do diesel, essa subvenção, é paliativa”, avaliou, referindo-se ao próximo presidente da República, a ser definido nas eleições deste mês.

A possibilidade de a Petrobrás se valer de hedge também para os preços do diesel já foi aventada pela própria estatal. No mês passado, o presidente da petroleira, Ivan Monteiro, destacou que o mecanismo está em estudo para quando a subvenção se encerrar.

Mais conteúdo sobre:
Petrobráscombustívelgasolina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.