finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Proteção para atrair investimentos?

O ano de 2011 começa com uma nova leva de medidas protecionistas na Argentina, justificadas pelas autoridades do país pela necessidade de proteger o mercado do país contra a "concorrência desleal". Em 2010, a Argentina ocupou o terceiro lugar no ranking dos parceiros comerciais do Brasil. Mas o Brasil acumulou um superávit de US$ 4,1 bilhões com o vizinho, com crescimento expressivo frente ao US$ 1,5 bilhão registrado em 2009.

Sandra Polónia Rios, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

As medidas argentinas podem ser vistas como tentativa de conter as importações e favorecer a indústria doméstica. Um efeito colateral dessas medidas é atuar como estímulo para a substituição de exportações desde o Brasil por investimentos diretos de empresas brasileiras no país. Do ponto de vista das empresas brasileiras, seria uma forma de contornar as barreiras comerciais para entrar no mercado argentino. Esse objetivo foi diversas vezes explicitado pela ministra da Indústria da Argentina ao longo dos últimos anos.

A Argentina tem sido um receptor relevante de investimentos de empresas industriais brasileiras nos últimos anos. Desde 2007, o IndexInvest - acompanhamento de investimentos diretos brasileiros na América do Sul e México realizado pelo Cindes - registrou 19 inversões realizadas por empresas brasileiras no setor industrial na Argentina.

Esse movimento é, em boa medida, resultado da identificação de oportunidades de negócios na Argentina e contribui para a consolidação da competitividade, fortalecimento da participação brasileira no mercado global e integração produtiva no Mercosul. Mas há também registros de empresas que tomaram essa decisão para reduzir os custos relacionados com as incertezas e os custos resultantes da administração da política comercial na Argentina. Esses investimentos não interessam ao Brasil nem às empresas brasileiras.

A melhor opção para estimular os investimentos diretos no interior do Mercosul é a liberalização dos fluxos de comércio, convergência de normas e, acima de tudo, cumprimento e previsibilidade na implementação dos compromissos do bloco. É esse ambiente que estimula os negócios e a complementação produtiva entre os países.

Em vez de contemporizar, como fez muitas vezes no passado recente, o governo brasileiro deveria manter posição firme de cobrança de cumprimento dos compromissos de livre comércio dos sócios do Mercosul. Evidentemente, o Brasil também deve ter comportamento compatível com esses princípios para com os parceiros.

DIRETORA DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.