Protecionismo agrícola prejudica consumidor europeu

Os subsídios dados pela União Européia (UE) aos produtores agrícolas não prejudicam apenas a renda dos exportadores brasileiros, mas também a renda dos consumidores europeus, que são obrigados a pagar mais caro pelos alimentos. A conclusão faz parte do relatório Cultivando a Crise, preparado pela associação Consumidores Internacionais, que reúne entidades de mais de cem países.Segundo o estudo, se os subsídios continuarem depois da ampliação do bloco para o Leste Europeu, os consumidores terão que pagar um preço 15% superior ao que já pagam hoje pelos alimentos. "Os subsídios interessam apenas a um setor, enquanto a comunidade continua sofrendo danos financeiros", informa o documento.De acordo com o estudo, se os subsídios forem ampliados para os novos países que entrarão na UE em 2004, os contribuintes terão que pagar mais impostos para sustentar o setor agrícola e os consumidores sofrerão uma queda na renda diante do aumento no preço final dos produtos. A queda no consumo seria de 3%.Além disso, a UE precisaria arrecadar outros US$ 7,8 bilhões para subsidiar os novos países, o que significaria que os contribuintes teriam as cargas tributárias aumentadas em quase US$ 500,00 por ano. Atualmente, a UE já gasta US$ 110 bilhões para subsidiar um setor que representa 1,7% do PIB europeu e que emprega 3,1% dos trabalhadores do continente. Com a ampliação da UE, o número de agricultores no bloco aumentará em 60% e a área cultivável em 30%.Mesmo assim, o estudo indica que não há razão para que os subsídios sejam mantidos. "Os únicos que ganhariam com os subsídios seriam os produtores, enquanto toda a economia sofreria um dano significativo", afirma o documento. A pesquisa mostra que a renda dos fazendeiros do Leste Europeu seria aumentada em pelo menos duas vezes com os subsídios de Bruxelas.Já o mercado internacional de produtos como açúcar, carne e leite seriam mais distorcidos pela ajuda da UE à Polônia, Hungria e os novos países que farão parte do bloco.

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