AFP PHOTO / GREG BAKER
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Protecionismo de Trump preocupa investidores nesta quarta-feira

Após abrir em alta com dados robustos da economia chinesa, tom positivo da Bovespa é limitado pelas incertezas políticas nos EUA pela disputa comercial em relação às taxas impostas ao aço e alumínio

Ana Luisa Westphalen, Broadcast

14 Março 2018 | 11h32

A Bovespa iniciou os negócios em alta na manhã desta quarta-feira, 14, em linha com o sinal positivo dos mercados acionários internacionais diante de dados robustos da economia da China no primeiro bimestre. Por volta das 11h30, entretanto, os mercados globais inverteram seu tom otimista, e passaram a registrar enfraquecimento das bolsas locais e fortalecimento do dólar após a Casa Branca confirmar que deseja corte de US$ 100 bilhões no déficit comercial com a China.

Às 11h27, o Ibovespa caía 0,13%, aos 86.269 pontos. O Dow Jones caía 0,26% e o S&P500 perdia 0,02%. O dólar à vista no balcão era negociado a R$ 3,2580 (-0,11%).

Divulgado na manhã desta quarta-feira, a produção industrial da economia chinesa cresceu 7,2% nos primeiros dois meses de 2018, superando de longe a projeção de avanço de 6,1%. As vendas no varejo e os investimentos em ativos fixos também surpreenderam.

Apesar do tom positivo das bolsas, o entusiasmo é limitado pelas incertezas políticas nos Estados Unidos. Ainda paira nos negócios a cautela renovada ontem com demissão do secretário de Estado, Rex Tillerson, visto como uma figura moderada em uma Casa Branca, que parece se inclinar cada vez mais ao protecionismo.

Ontem o governo americano apresentou cinco exigências aos países que querem ser isentos da taxa para as exportações de aço e alumínio, mas os critérios são mais políticos do que comerciais. A mais polêmica estabelece que os governos que querem evitar a taxação do aço precisam apoiar as disputas lideradas pelos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Voltando ao Brasil, o mercado acompanha ainda o trâmite da privatização da Eletrobrás. Ontem, no início da noite, o governo conseguiu instalar a comissão especial que vai analisar o projeto, que deve ser votado no começo de abril.

Na Bolsa, os papéis da Vale seguiam em alta de mais de 2% nesta quarta-feira, 14, beneficiadas pela valorização dos preços do minério de ferro nos portos chineses. As ações de bancos seguiam em queda, ecoando mais revisões de ratings. Ontem a Fitch rebaixou a nota do Itaú Unibanco e hoje, do Bradesco, que passou de BB+ para BB. Já os ratings da Caixa e do BNDES seguiram a do Brasil, e passaram de BB para BB-, com a mudança da perspectiva de negativa para estável.

Mais cedo foi revelado que o BNDES registrou em 2017 lucro líquido de R$ 6,18 bilhões, queda de 3,2% em relação ao lucro registrado no ano anterior, de R$ 6,39 bilhões.

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