Protecionismo prejudica Alca, diz Roberto Rodrigues

As negociações este mês para criar uma área de livre-comércio nas Américas provavelmente vão esbarrar na mesma questão do protecionismo agrícola dos EUA, que quebrou a reunião da OMC em Cancún, afirmou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em Pequim. Segundo ele, as perspectivas de sucesso da Alca não são animadoras se os negociadores da América do Norte, particularmente dos EUA, continuarem se recusando a reduzir as barreiras comerciais agrícolas. Rodrigues disse que está desencorajado pela falta de resultados das reuniões de Trinidad & Tobago no mês passado, que foram preparatórias para a cúpula da Alca em Miami, a ser iniciada em 17 de novembro. "Os negociadores da América do Norte se colocaram contra qualquer discussão na Alca acerca do protecionismo agrícola, especialmente no que diz respeito a medidas de subsídio doméstico", disse ele durante uma visita à China. "Fomos ambiciosos na Alca, mas isso depende muito da atitude dos EUA nas negociações." Rodrigues acrescentou que as negociações entre o representante de comércio dos EUA, Robert Zoellick, e o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, para tratar de comércio, não serão bem sucedidas. "Essa reunião foi sugerida por Zoellick, então pode ser que os norte-americanos indiquem agora alguma possibilidade de avanço (das negociações), mas por enquanto eu não tenho muitas esperanças", disse ele. Rodrigues afirmou também que o Brasil continua altamente interessado em negociar de forma bem sucedida a Alca, mas tem esperanças maiores de obter acordos com os vizinhos do Mercosul e com a União Européia. Rodrigues vai se reunir amanhã com representantes do Ministério da Agricultura chinês para tentar abrir os mercados daquele país às exportações de carne bovina brasileira. Ele prevê que as exportações de grãos e soja para China vão ultrapassar a marca de sete milhões de toneladas em 2004.

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