Protegido da crise, setor de serviços cresce 1,2%

Empresas da área responderam por maior parte das contratações no ano

Andrea Vialli, Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O bom desempenho do setor de serviços no segundo trimestre de 2009 foi um dos pilares que ajudaram o Brasil a sair da recessão alcançar um crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O setor, que engloba os setores de telecomunicações, financeiro, educação e tecnologia da informação, entre outros, cresceu 1,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Em comparação ao segundo trimestre de 2008, a expansão foi maior, de 2,4%.

"O setor de serviços é versátil e se adapta melhor às crises econômicas do que agricultura e indústria, que sentiram de modo mais impactante a queda na demanda", afirma Luigi Nese, presidente da Confederação Nacional dos Serviços (CNS). Segundo ele, o setor de serviços, que tem peso de aproximadamente 67% no PIB, foi também responsável por um grande número de contratações este ano. "Dos 300 mil empregos criados no País com carteira assinada entre janeiro e julho deste ano, 264 mil foram gerados no setor de serviços", diz.

Desde o início da atual crise o setor permaneceu com resultados positivos, em comparação a iguais períodos do ano anterior, mesmo após o início das turbulências na economia. "Esse é o setor menos afetado pelas turbulências porque depende de "n" outros fatores além das expectativas e, por isso, ajudou o PIB a não cair mais nos trimestres anteriores e voltou a acelerar a taxa de expansão no segundo trimestre", afirmou Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE. O setor de serviços havia registrado alta de 1,7% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior, acelerando para um aumento de 2,4% no segundo trimestre.

Os cinco subsetores da economia que mais se expandiram no segundo trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado são do setor de serviços. O líder foi o grupo de intermediação financeira, previdência e seguros, com crescimento de 8,2%. Depois vieram os grupos Outros serviços (+7,3%), Serviços de Informação (+6,8%), Administração, saúde e educação públicas (+2,8%) e Serviços Imobiliários e de Aluguel (+1,4%).

Os destaques negativos dentro de serviços foram Transporte, Armazenagem e Correio, que teve queda de 5,3%, e Comércio (Atacadista e Varejista), que caiu 4,0%.

EMPREGO NOVO

A estudante de turismo Thaís Sousa Romão, de 19 anos, foi uma das beneficiadas pela expansão do setor de serviços no último trimestre. Ela foi recentemente contratada como operadora de telemarketing pela empresa Dedic, que pertence ao Grupo Portugal Telecom, após ficar desempregada no início do ano. "Com meu salário, consigo pagar as despesas da faculdade e também ajudar em casa", diz a estudante.

O setor de telesserviços, que engloba os call centers, foi um dos menos afetados pela crise financeira no Brasil. "Quando a economia esfria, o setor de telesserviços cresce porque muitas empresas terceirizam operações e recorrem ao call center para manter sua base de clientes", diz Topázio Silveira Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT). Ele estima que o setor vai encerrar 2009 com 1 milhão de empregos, um crescimento de 10% ante 2008.

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