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Proteja seu filho dos perigos da internet

Insisto em meu conselho, leitor: não abandone seu filho, criança ou adolescente, diante da internet. Tive há menos de um ano, em minha família, uma experiência dramática, de uma garota de 11 anos que entrou inadvertidamente num site pornográfico do mais baixo nível e ficou traumatizada. Seus pais tiveram que recorrer a psicólogos para evitar males maiores. Desde então, me convenci definitivamente que a web tem sua face negativa, como tentei mostrar em minha coluna no domingo, 23 de novembro de 2008, com o título "Não abandone seu filho diante da internet".Sempre pensei nas centenas de milhares ou talvez de milhões de crianças e adolescentes que navegam na internet sem qualquer vigilância ou acompanhamento de pais e professores. Volto ao tema e reitero minha advertência, afirmando que, por mais benefícios que a internet possa trazer à maioria das pessoas - e, efetivamente, traz, no caso de adultos - quase metade de seu conteúdo é lixo da pior qualidade. Aos pais que discordam desta visão, resta a opção de ignorar totalmente o que fazem seus filhos, garotos de 3 a 17 anos, na web, e dar-lhes liberdade absoluta.A propósito da coluna de 23-11-2008, recebi exatamente 87 mensagens de apoio e apenas duas de discordância com a tese que defendo. O que me interessa, aqui, entretanto, é analisar a posição dos dois autores dos e-mails que divergiram de minha opinião. Curiosamente, esses leitores, em nenhum momento negam a existência do vasto material de baixa qualidade disponível na internet. E mais grave: não reconhecem a necessidade de orientação e supervisão de seus filhos menores no acesso à internet.Os dois leitores discordantes, creiam, são meus amigos de longa data (ainda espero que continuem meus amigos). Em seus e-mails, porém, eles me crucificam exclusivamente por ter levantado o tema - sem jamais refutar meus argumentos. Nunca imaginei que minha tese em defesa das crianças e adolescentes pudesse despertar tal reação. O primeiro crítico, um professor da USP especialista no uso de novas tecnologias na educação, considerou meu artigo o mais reacionário de minha vida, quase de extrema direita. No final, paternalmente, me perdoa e reitera sua amizade.O segundo e-mail discordante, bem menos amistoso, me veio de um jornalista, amigo de mais de 20 anos, que me ataca duramente em seu site de relacionamento, sugerindo que minha posição lembra os tempos da Inquisição, que equivale a "uma aula de não-jornalismo", uma defesa de "tese banal e primária, além de descontextualizada e enviesada".Veja que situação estranha, leitor: minha tese se resume em afirmar que a internet é uma mistura de joio e trigo, fato que nos obriga a pensar em seus efeitos deletérios em crianças e adolescentes. Não creio que isso tenha nada de medieval nem de inquisitório. Mais estranho é acusar a proposta de banal, primária, fora de contexto e enviesada, se o que defendo é apenas a proteção de nossos filhos diante do lixo, da fraude, da pedofilia e de crimes que têm acontecido por causa de determinados contatos na internet.Tendo sido professor durante mais de 25 anos, sempre tentei conscientizar os pais, para que eles tomem suas próprias atitudes. Por que me calar diante do problema? Existe hoje um clima de tolerância com o volume crescente de lixo na internet. Furtos de identidade, phishings (roubo de dados confidenciais), armadilhas e todo tipo de fraude encontram pouca reação daqueles que só vêem o lado positivo. O mundo inteiro, entretanto, já se preocupa com a face negativa da rede. Além da União Internacional de Telecomunicações, o governo alemão está propondo um esforço conjunto de todos os países para se evitar que o material indesejável alcance as crianças. Um dos maiores problemas é o anonimato por trás do qual se escondem fraudadores, pedófilos e criminosos de toda espécie. É contra esses sites e pessoas que devemos proteger nossas crianças, até que tenhamos meios para inibir os delinqüentes da web. Estou convencido de que, num futuro próximo, a introdução da versão 6 do protocolo IP (IPv6) nos permitirá coibir a maioria das mensagens anônimas e bloquear sites e endereços de delinqüentes. Para reduzir substancialmente os problemas do lixo da internet, proponho três estratégias essenciais:Educação do usuário - de todas as idades. Se bem informado, o usuário escapará de quase todas as armadilhas.Mais tecnologia - sob a forma de programas de proteção de acesso a sites de conteúdo indesejável, filtros, firewalls e antivírus, além de aplicativos que monitoram o uso da internet, gravando informações que podem depois ser conferidas pelos pais.Melhor legislação - precisamos de leis adequadas, que caracterizem o abuso e o crime, e nos permitam aplicar a punição aos seus responsáveis.

Ethevaldo Siqueira, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

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