Prótese de mindinho garante emprego a ex-integrantes da máfia japonesa

Protético especializado cobra R$ 6,4 mil por dedinhos postiços para ex-integrantes da yakuza

10 de junho de 2013 | 18h53

SÃO PAULO - O fabricante de próteses Shintaro Hayashi construiu um negócio bem sucedido fazendo partes do corpo humano de silicone para pacientes vítimas de acidentes ou doenças graves. Mas, há aproximadamente dez anos, ele passou a lucrar com um novo mercado em sua sede em Tóquio.

"Comecei a ver um aumento gradual de pessoas que pediam próteses do dedo mindinho", disse Hayashi, de 39 anos. "Quase nunca o dedo médio, o polegar ou o fura-bolo, sempre o mindinho", explicou em entrevista à emissora americana ABC News.

No Japão, a falta do dedo mindinho significa ligação com ligação com a yakuza, a máfia japonesa. Em um ritual conhecido como 'yubitsume', os membros da yakuza são obrigados a cortar o próprio dedo em caso de desvios graves.

O dedo mindinho esquerdo é geralmente o primeiro a ir, mas ofensas repetidas podem levar mais de um dedo. Como resultado, os que tentam deixar a organização criminosa encontram dificuldades em encontrar um trabalho no mercado formal por causa do estigma associado à falta dos dedinhos.

É aí que entra o bem sucedido negócio do cirurgião Hayashi. Ele molda próteses perfeitas que mascaram perfeitamente a amputação. Cada prótese custa US$ 3 mil (aproximadamente R$ 6,4 mil).

Os dedos são cuidadosamente pintados, para combinar com a cor exata da pele do cliente. Ex-membros da yakuza, que compõem cerca de 5% dos negócios da Hayashi, muitas vezes compram vários conjuntos de dedos para diferentes estações do ano - a versão mais clara para o inverno e outra bronzeada para o verão, explicou ele à ABC News.

Hayashi resume sua clientela em três categorias: os que são arrastados pelas companheiras, os ex-membros da máfia ansiosos em evoluir no trabalho, mas estigmatizados pela falta de dedos, e os que pretendem continuar na yakusa, mas precisam esconder a falta de dedos para ir a um casamento ou numa festa na escola das crianças.

Shigeru Takei, que pediu ABC News não usar seu nome real, teve que passar por quatro vezes pelo ritual do Yubitsume em 20 anos na yakuza.

A primeira vez, ele teve de cortar a primeira junta do dedo mindinho após uma briga de bar. Quando um de seus subordinados foi pego usando drogas, Takei precisou cortar mais um pedaço do dedinho. Para deixar a organização, o preço foi cortar totalmente outro dedinho.

Atual esposa de Takei o convenceu a mudar de vida depois de anos passados na prisão, mas a falta dos dedos dificultava a sua colocação no mercado de trabalho.

"Eu não poderia escrever a verdade em meu currículo, porque eu tinha estado na yakuza por 20 anos", disse. "Se você não tem dedos, não há nenhuma maneira de obter um trabalho de vendas."

Ele agora trabalha para uma empresa de reforma de casa e diz que só uma vez foi questionado sobre seus dedos falsos.

Takei Hayashi visita o protético quatro vezes por ano para um processo de repintura de partes descoloridas. Ele acumulou mais de 100 dedos postiços ao longo de dez anos, e mantém sempre alguns extras para não ficar sem. Só dispensa os dedinhos falsos quando está de folga.

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