Protesto agrário continua na Argentina, depois de diálogo

O diálogo entre o governoargentino e o setor agrário foi prejudicado no sábado, quando,descontentes com as ofertas oficiais, dezenas de produtoresvoltaram a obstruir estradas em todo o país, impedindo otransporte de alimentos. O campo havia suspendido na sexta uma paralisação de 16dias contra uma alta de impostos às exportações de grãos, assimque a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, moderou seudiscurso contra o setor e convocou um diálogo para tentar frearo pior protesto em anos no país. A medida de força alterou os mercados globais de grãos,porque a Argentina é um dos maiores fornecedores mundiais dematérias-primas, além de ter deixado o páis à beira dodesabastecimento. Os líderes das quatro entidades agropecuárias ficaramreunidos até a madrugada de sábado com o chefe do gabinete,Alberto Fernández, para ouvir a proposta do governo, masficaram decepcionados. "Saímos bastante preocupados. Nos disseram que a resoluçãodoa 11 de março (a alta do imposto às exportações) não seriaalterada", disse Mario Llambías, titular das ConfederaçõesRuais Argentinas (CRA), sobre o encontro. "Continuamos pensando que existe gente que não estáentendendo o problema que há no interior", acrescentou. Na madrugada, Fernández, deu uma coletiva de imprensa e seesforçou para mostrar um grande sorriso. Anunciou uma série de medidas que o governo oferece aocampo e destacou o compromisso oficial para que "nenhumaunidade econômica do campo argentino precise de rentabilidade" Mas não ofereceu mudar ou suspender a alta nos impostos,estabelecida a mais de duas semanas pelo governo, para reforçaro superávit fiscal do país e frear uma escalada inflacionárianos alimentos que ameaça a economia. "É difícil entender o que querem fazer os ministros, quandoexpressam uma série de generalidades que tem escassaconsistência, que não consituem medidas concretas. Depois de 16dias de paralisação, não imaginávamos que teríamos estesresultados", disse Eduardo Buzzi, líder das FederaçõesAgrárias.

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