Protesto agropecuário afeta indústria de soja na Argentina

Paralisação afeta o setor de um país que é o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja

Reuters, REUTERS

19 de junho de 2008 | 19h16

Muitas das processadoras de soja da Argentina estão com as atividades paralisadas devido ao prolongado protesto dos produtores rurais, disseram fontes da indústria. A paralisação nas negociações de soja, um protesto dos produtores contra uma alta nas taxas de exportação, afeta o setor de um país que é o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja. Os protestos, que já duram cerca de três meses, prejudicaram as exportações do país e deram sustentação aos preços da soja nos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, produtos essenciais para a população, como o óleo de cozinha, começam a faltar nas gôndolas dos supermercados. Os agricultores se negam a colocar grãos no mercado e proíbem o tráfego de caminhões com mercadorias nas rodovias do país. Desde o início das manifestações, em março, algumas processadoras de soja e exportadores puderam manter suas atividades apenas graças aos estoques formados nos momentos em que os protestos eram suspensos. Também cobriram suas necessidades com importações do Paraguai. Mas os estoques estão agora perto de acabar, afirmaram operadores e analistas da indústria. "Até alguns dias, os exportadores tinham estoques para carregar os navios. Agora, a realidade é que os estoques se acabaram", disse Paulina Lescano, analista consultoria Agropuerto, de Buenos Aires. Trabalhadores das unidades de processamento em Rosário, o maior porto de grãos do país, estão sem trabalho. As seis unidades da cidade, que incluem as da Cargill, Louis Dreyfus e Molinos Río de la Plata, representam 20 por cento da capacidade de processamento do país. "A Cargill está parada faz 15 dias porque não tem matéria-prima e a Dreyfus também está com problemas...", disse Adrián Davalos, secretário-geral do sindicato dos trabalhadores da indústria de Rosário. Esperava-se que os produtores suspendessem os protestos na quarta, um dia depois de a presidente Cristina Fernández enviar um projeto de lei ao Congresso sobre as taxas. Caberá ao Congresso confirmar ou derrubar a alta de impostos. A Argentina também é o segundo exportador mundial de milho, e no mercado de Rosário os embarques também estão sendo afetados. "As exportações são nulas há dias, e os navios com milho são os que mais esperam para o cumprimento das vendas ao exterior", afirmou a analista Lorena D'Angelo.

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